Geral

Falar ou não falar, eis a questão

Oi, gente!

Tenho pensado um pouco sobre a fala das crianças pequenas esses dias.  Depois de conversar com algumas  colegas de maternidade fiquei intrigada com algumas coisas que ouvi com frequência  e me perguntando até que ponto elas podem interferir no desenvolvimento da fala dos pequenos. Expressões do tipo “preguiça pra falar” são comuns nesses papos de mãe. Nessa altura, gostaria que você se lembrasse do que eu disse no primeiro post deste blog sobre críticas. Agradeço a Deus todos os dias pelo privilégio de viver a experiência mais “humildificante” da face da terra que é a maternidade.

Vamos adiante. Veja bem, sou uma pessoa adulta e, mesmo assim, não gosto muito de falar quando percebo que não estão me ouvindo, que não estou sendo correspondida no diálogo e que este, então, virou um monólogo. Imagino uma criança pequenina iniciando sua aventura no universo das tantas palavras que ela já ouviu desde que nasceu e que, antes, não faziam nenhum sentido mas, aos poucos, algumas delas começaram a ter significado e já é possível até associa-las a objetos, ações e pessoas. Então, fico pensando no grande esforço que as crianças fazem para concatenar movimentos musculares um tanto quanto complexos na articulação de uma palavra, com o seu entendimento sobre ela. Aí a criança exprime o som que dá pra sair, assim, de primeira tentativa,  procurando imitar aquilo que os adultos fazem com tanta simplicidade e desenvoltura. Bem, se eu fosse uma criança pequena, depois de tal esforço ficaria estimulada se os meus ouvintes fizessem igual esforço para tentar me compreender. Porém, se começasse a ecoar no vazio repetidas e repetidas vezes eu, provavelmente, perderia o estímulo para tentar. Afinal, por que tentaria se não há resultado?

Lembro de ter lido ou ouvido…Prof Carlos Nadalin, talvez…(fico devendo essa referência mas vou trazer) sobre a exposição das crianças à fala. Dizia que não é o bastante apenas expor as crianças à experiência da fala dos adultos, deixando-as ouvir uma série de palavras esperando que as assimilem enquanto os adultos conversam entre si. Mas é preciso, sim, falar COM a criança, PARA a criança. Olhar nos olhos, demonstrar interesse genuíno – pois, eles podem facilmente perceber quando não é – e manter um diálogo real, como fazemos com outros adultos.  Afinal,  que conversa no mundo pode ser mais interessante do que a do seu filho lhe mostrando o que ele já sabe falar?! Rsrs

Também tenho visto muitos pais e mães “levando seus filhos ao parque”. Na verdade, só levando mesmo, porque,  não estão lhes acompanhando. Estão em companhia do celular! Não abomino os celulares. Também estou com o meu nesse exato momento escrevendo o texto… enquanto meu filho dorme do meu lado. Evito ao máximo (todos em casa evitamos) manusear o celular enquanto interagimos com ele. Ele também nos cobra essa atenção! Com certeza não é possível retroceder no avanço tecnológico e em tudo o que ele representa na sociedade hoje mas, é absolutamente necessário, urgente até, que aprendamos a utilizar os meios tecnológicos e vem de nos tornarmos seus escravos. Clichê? Sim. Mas é verdade!

E as crianças no parque gritam: “Pai! Olha!” Mostrando que subiram em algum lugar ou desceram ou pularam, enfim, animados pela conquista e ansiosos para compartilhar com quem mais lhes dá atenção,  se importa com seus feitos e acompanha seu desenvolvimento (é assim, não é? ) – seus pais! Escute, não quero parecer acusadora, detesto isso com todas as forças. Só não entendo como alguma coisa num celular pode ser mais interessante do que presenciar uma descoberta de uma criança, que não irá mais se repetir pois, a descoberta já foi feita! Como algo pode ser mais urgente do que um momento único no crescimento de uma criança que não voltará nunca mais, pois ela não mais voltará a ser criança? Ao contrário, a cada dia eles são um pouco menos crianças, se distanciam um pouco mais da infância, da fase de bebês, da adolescência e vão se aproximando da idade adulta, quando serão como nós, adultos apenas.

Oh, ainda amaremos nossos filhos, claro!  Mas eles nunca mais farão aquelas descobertas. O mundo agora não será mais um grande mistério a ser desvendado sob a condução cuidadosa de seus pais. Nós, provavelmente, não iremos mais lhes ensinar tantas coisas. Passaremos a aprender com eles. Então, por que não aproveitar melhor esse momento tão fugaz? Por que ter pressa pra que eles cresçam? Para deixarem de nos dar trabalho e podermos, finalmente, passar bons momentos com nossos celulares, computadores, TV a cabo…? Ou ainda que seja com o bom e velho jornal, pra vocês não pensarem que estou atacando toda forma de tecnologia.

Admito que esse post adquiriu um tom de desabafo e creio que sei o motivo. Lamento profundamente cada minuto que passo longe do meu filho. (não sou super mãe – passo longe disso – e, algumas vezes, desejo muito estar em qualquer lugar, SOZINHA!) Fico sabendo das coisas que ele descobre todos os dias mas não presencio muitas delas. Que saibamos valorizar melhor nosso tempo junto! Que aprendamos a ter tempo de qualidade com nossos filhos.

E, voltando à fala, depois desse longo parêntese,  espero que você possa observar o desenvolvimento da fala de seu filho sob essa ótica também, de como e quanto os adultos à volta dele contribuem nesse processo.

Não há dúvidas que é preciso grandes doses de paciência mas, também é fato que essa fase vai passar, assim como outras tantas, mas o modo como lidamos como elas vai ficar pra sempre na memória e, em alguma medida, nos traços de desenvolvimento do nosso filho.

Vamos à luta, mamães! A maternidade é um grande empreendimento!

Beijos!

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