Geral, Parada Literária

Aprendendo de forma espontânea

Olá, pessoal!

Andei sumida nos últimos tempos mas não é nada que vocês não compreendam e não estejam passando também. Vida corrida de mãe. Falta de tempo pra tudo. Os dias parecem que passam por cima da gente.

Se dividir entre trabalho  (na rua ou em casa), atenção a filho, marido, demais membros da família,  amigos e todos os grupos do whatsapp! Ninguém aguenta! Ah, esqueci os blogs das amigas que a gente lê de vez quando hehe ;-D

Pois esses últimos dias eu só queria dormir uma semana inteira.  Já sentiu vontade de ficar doente, uma coisinha boba, só pra poder ficar na cama?? Não me diga que sou a única por aqui!

Mas estou sobrevivendo e arranjando um tempinho (nem queira saber como) pra dividir as alegrias e agruras com as colegas de maternidade. Vai que alguém tá aí do mesmo jeito que eu e se anima com a sofrência coletiva?!

Brincadeiras a parte, vocês sabem que estou amando a leitura de “Como as crianças aprendem”, do professor John Holt. Embora eu não tenha mais escrito nada sobre e mesmo tenha lido muito pouco nas últimas semanas, tenho observado o desenvolvimento de meu filho a partir da ótica dele, em muitos aspectos.

O professor Holt defende um tipo de aprendizagem livre e espontânea, sem muita interferência dos adultos, sejam pais ou professores. Como meu filho ainda não está na idade escolar obrigatória, eu sou a mãe-professora-observadora dele. E, coincidência ou não, vejo várias idéias e conceitos de Holt se materializando no desenvolvimento natural de Daniel. Acho muito interessantes as colocações do professor e a sua forma de enxergar o aprendizado infantil. Vou tentar expor aqui, como uma espécie de diário, as coisas que observei em Dan recentemente.

Há algum tempo, compramos uma sandália de dedo pra ele, sem aquele cordão de trás que prende no calcanhar. Queria ir treinando ele a calçar aquele tipo de sandália. E tentei ensinar ele a calçar e a andar. Deixava até a sandália exposta pela casa ao alcance dele, na esperança que a curiosidade fizesse ele tentar usar. Um fiasco essa abordagem, posso dizer. Depois li de Holt que as crianças farão qualquer coisa quando estiverem prontas. Mas, antes disso, travávamos uma luta aqui em casa pra impedir que ele calçasse nossos sapatos.  Aqui em casa descalçamos os sapatos na porta e guardamos na área de serviço. Não  andamos calçados em casa tentando manter o chão menos contaminado. Mas meu fofinho vira e mexe escolhe um calçado de alguém da casa e começa a desfilar por onde bem entende. Quando percebi que com aquilo ele treinava algumas aptidões como noção de lado certo (lateralidade), equilíbrio e coordenação motora, passei a deixar ele à vontade para explorar. Ele seguia calçando tudo, de tênis a sandálias. E quando eu menos esperava, eis que surge meu bebê com a sandalinha dele calçada. Tudo o que eu havia tentado ensinar antes ele aprendeu, aparentemente, sozinho. Qual é a charada? Ele observou nossos movimentos calçando nossos próprios calçados natural e despreocupadamente, sem tentar lhe ensinar nada.  Ele apenas via e registrava. Quando se sentiu seguro o suficiente para tentar por si mesmo, ele o fez!  E transferiu o que aprendeu em nossos calçados para os seus próprios.

Assim também aconteceu com a experiência da piscina. Tentamos por todo jeito fazer ele se interessar pela bóia de braço e pela sensação de liberdade dentro da água. Mas ele ainda não estava pronto para isso, o que fez com que ele criasse uma certa aversão à piscina. Perguntei se ele tinha medo e ele disse que sim. Perguntei por que e ele disse que tinha muita água. Logicamente ele se sentiu inseguro e achou que eu iria expô-lo novamente à situação que o assustou. Curioso que no momento mesmo em que tentávamos algumas manobras com ele, e ele acabou engolindo um pouco de água, eu recuei e disse ao pai que não faríamos mais nenhum movimento com ele na piscina no intuito de dar-lhe maior independência, ou ele poderia ficar traumatizado. De fato, poucos dias depois li em Holt, no capítulo sobre esportes, relatos sobre experiências com crianças pequenas no ensino da natação. E minha intuição não havia falhado! Realmente, qualquer tipo de imposição quanto ao momento certo de adquirir mais independência em situações onde as crianças se sentem inseguras só pode terminar em fracasso. Então, no último final de semana,  justo quando ele declarou ter medo da piscina, nós conseguimos levá-lo, depois de muita promessa de manter ele no colo o tempo inteiro. E, na verdade, foi ele mesmo quem manifestou o desejo de ir, depois de termos jogado bola e feito outras brincadeiras juntos sob o sol de verão! Quando chegamos lá, havia outras três crianças de idades diferentes e em estágios diferentes de liberdade na piscina. Ele entrou e logo começou a observar um coleguinha que tem a idade dele, e com quem ele já costuma brincar em outras situações, divertindo- se muito com suas bóias de braço, nadando livremente pra lá e pra cá. Isso foi a deixa para perguntarmos se ele também queria usar suas bóias, ao que ele disse um sim um pouco hesitante. Viu, também, um outro garotinho um pouco maior que ele, totalmente  independente na parte rasa mas ainda enfrentando alguma insegurança na parte mais funda da piscina. Mesmo com a bóia de peitoral não se desgrudava do pai, que tentava, como nós anteriormente, meio que empurrar o guri pra tal independência. Ainda havia outra menina, essa mais velha que todos os outros, devia ter uns 8 a 10 anos. Essa nadava totalmente desinibida! E meu pequeno surpreendente cismou que queria ficar com ela! Ela pegou Daniel no colo e os dois formaram uma bela parceria por vários minutos, sob minha sombra! No colo dela, ele foi até a parte infantil da piscina e lá, pela primeira vez, se encorajou para tocar os pés no chão, seguro pelas bóias nos braços e pelas minhas mãos nas mãos dele. Quase totalmente solto, até, aos poucos, ficar solto de vez. A iniciativa de soltar a mão dele foi minha, e acho que errei. Devia ter esperado ele manifestar interesse. Mas isso não colocou tudo por abaixo, graças a Deus!  Ele gostou e logo disse pra mim: “Mamãe, quer nadar sozinho”. Gaiato esse menino, não? !

Acho que o resumo da ópera aqui é a frase de Holt: “As crianças farão qualquer coisa quando estiverem prontas!”

Bjos e divirtam-se com suas próprias observações!

 

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2 comentários em “Aprendendo de forma espontânea”

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