Geral, Parada Literária

Levando a criança à piscina pela primeira vez

Olá meninas!

Dando continuidade à resenha da nossa aventura na piscina, vou contar aqui algumas das experiências de Holt narradas por ele em seu livro “Como as crianças aprendem”, e que me surpreenderam quando as li, alguns dias depois daquele domingo na piscina que contei aqui.  Mais uma vez, uma certa intuição me levou a determinada atitude que foi confirmada, nos dias seguintes, na leitura de Holt. Como disse a meu marido, se ele (Holt) estiver errado, então nós dois estamos!

Durante a leitura desse relato, perceba a sensibilidade existente na forma de lidar com a situação, aparentemente simples, de introduzir uma criança pela primeira vez numa piscina. O cuidado com detalhes e a total atenção para com o bem estar da criança.

Embora o relato refira-se a atividades em uma piscina, acredito que os princípios aqui observados servem, também, para a atividade na praia.

“6 de junho de 1965

Hoje levamos Tomy para a piscina. Foi nosso primeiro passeio esse ano. Logo de início,  tivemos um acidente que teria desestimulado a maioriadas crianças de sua idade. Ele estava em pé entre o primeiro e o segundo degraus que conduziam para o lado raso da piscina. Era o mais longe que queria ir; ele tinha recusado meu convite para um ‘passeio’ na água e preferiu ficar andando nos degraus, olhando para a água e sentindo-a com as mãos.  De repente, ao caminhar, pisou fora da borda de um degrau e afundou. Sua irmã mais velha, que estivera de olho o tempo todo, tirou-o da água em um segundo. Ele tossia e resmungava, mas não parecia assustado. Depois de um curto tempo fora da água, para descansar e recuperar o fôlego e a coragem, já estava de volta à piscina. Então, pediu o passeio que tinha recusado anteriormente. Peguei-o nos braços e caminhei pela água, que lhe batia ora na cintura, ora no peito. Agarrou-se forte a mim, como os bebês costumam fazer, com os braços e as pernas. De vez em quando, eu mergulhava na água o bastante para que ela batesse em seus ombros, mas, como ele parecia não gostar, não fiz isso muitas vezes. Em momento algum ele relaxou os braços e as pernas com que se agarrava a mim, e logo quis voltar para os degraus. Isso foi tudo o que ele quis fazer hoje.”

Agora, veja o relato de Tomy na piscina, alguns poucos dias depois:

“12 de junho de 1965

De todos os dias que passamos juntos na piscina, hoje foi o mais cheio de aventuras. Assim que entramos na água, ele me pediu que o levasse para um passeio. Então fiquei com com ele na parte rasa por um tempo, durante o qual ele não se segurou em mim e ficou batendo as pernas vigorosamente. Eu o apoiei muito delicadamente por pouco tempo e logo o soltei. Disse para ele: ‘Você está nadando!’ Por sua expressão, ficava claro que ele sabia disso. Finalmente tirei minhas mãos dele por completo e as mantive fora da água para mostrar a ele e a sua mãe que ele estava de verdade fazendo tudo sozinho. Ele conseguia aventurar-se apenas por alguns segundos, por isso eu ficava atento para apoiá-lo de vez em quando, impedindo que sua ousadia se transformasse em medo.

Mais tarde, enquanto Tomy se aquecia ao sol, fui nadar um pouco. Fui para o fundo, e ele ficou com a mãe. Ele então me disse que queria pular do trampolim e me pediu para pegá-lo. Eu disse: ‘Você está brincando? Tem certeza de que quer fazer isso?’ Ele insistiu, subiu no trampolim, caminhou até a beirada e, sem um seguindo de hesitação, pulou. Eu o peguei e o conduzi até a escada ao lado da piscina. Ele deu então um segundo salto e depois um terceiro, e teria continuado, se não houvesse várias crianças maiores esperando pela vez no trampolim.”

Notaram a diferença? O que terá contribuído para que uma criança, antes temerosa, se sentisse tão segura e autoconfiante em tão pouco tempo?

Talvez a resposta esteja em muitas coisas, como a própria natureza intrépida da criança. Mas não tenho dúvidas de que o tratamento adequado dado à situação facilitou o processo.

Infelizmente, não devo narrar aqui o passo a passo da aventura de Tomy e John, conforme consta em seu livro, por questão de respeito aos direitos autorais. Esta narrativa é interessante e vale muito a pena para quem se interessa sobre o tema da autoconfiança das crianças. Mas, creio que Holt teve uma grande sacada sobre isso quando percebeu a oscilação da coragem das crianças pequenas. Isso, eu posso contar pra vocês no próximo post!

Beijos e até lá!

 

HOLT, John. Como as crianças aprendem. Tradução Walther Castelli Jr. Campinas,SP: Verus Editora, 2007, págs 188-189 e 194.

2 comentários em “Levando a criança à piscina pela primeira vez”

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