Educação Domiciliar, Papos Diversos

Mães de volta ao lar I

Oi, garotas!

O que vou escrever hoje não é para todas, assim como, o texto sobre o qual vamos refletir, na continuação deste post. Admito que precisamos ter estômago para enfrentar certas realidades e, falando em realidades, a nossa – refiro-me ao nosso país – é bem difícil sob vários aspectos. Daí a particularidade do tema de hoje.

Ultimamente tem-se falado muito em educação domiciliar, homeschooling, unschooling, principalmente depois da suspensão temporária dos processos  em trâmite contras as famílias que decidiram adotar esta prática no Brasil. Até aí tudo bem. Mas você deve estar se perguntando: E daí? O que temos a ver com essas coisas? O fato é que educação domiciliar exige de nós um tempo de que, na atual conjuntura, a maioria de nós não dispõe. Veja que não disse que não temos esse tempo. E é aí que entra a nossa problemática de hoje. O tempo de que dispomos para nosso lar, nossa família – em especial, nossos filhos.

Nos Estados Unidos, um dos principais países onde o homeschooling é livremente praticado, as condições sociais e econômicas são bastante diferentes das nossas. Daí que, a decisão de não trabalhar, para a maioria das mulheres, implica em alguma redução da renda familiar ou abdicação de uma carreira profissional, mas não muito além disso. Radicalmente oposta a isto está a nossa realidade e não vou me deter muito nos detalhes desta questão porque, além de desnecessário – pois que é óbvio – seria fugir demais da proposta de reflexão deste post. Mas, uma vez que sabemos ser realmente impossível para a maior parte das mulheres brasileiras abrir mão do trabalho remunerado, o que faremos para estar mais tempo em família, seja com intuito de praticar o homeschooling ou apenas para estarmos mais presentes?

Primeiro você precisa entender por que sua presença em casa é tao necessária e vamos tratar disso no próximo post, a partir de um texto do livro Educando Meninos, do Dr. James Dobson. Excelente livro, já antecipo.

Particularmente, tenho me sentido chamada para estar mais presente na formação do meu filho. Digo formação em lugar de educação porque aquela abrange, também, esta. Aqui me refiro a mais do que “apenas” a formação acadêmica mas, àquilo que Ezzo aponta como as áreas primordiais em que devemos instruir nossos filhos: saúde e segurança, moralidade e habilidades para a vida.

Insisto na tese de que perdemos o hábito simples do pensar – não nas contas a pagar, tarefas a cumprir, incêndios a apagar -, mas pensar sobre os rumos da nossa vida. Onde nos leva o nosso caminhar? Nossas pequenas atitudes e decisões diárias delineiam o nosso lugar no amanhã – e também o das pessoas que dependem de nós.

Mais uma vez não estou escrevendo um post com respostas prontas. Ainda as estou buscando para mim mesma. Como poderia dar uma resposta generalizada a um grande número de mulheres com as mais diversas questões? O que proponho é sairmos da zona de conforto e olharmos além do imediatismo. Fácil? De forma alguma! Você terá de quebrar paradigmas há muito enraizados, repensar conceitos e soluções para a vida que você jamais ousou questionar. Vamos pôr o dedo direto na ferida? O quanto você precisa realmente de um trabalho remunerado? Ah, eu avisei que não era para todas. Mas se você se dignou a ler até aqui, continue. Talvez você (assim como eu!) não tenha a mínima possibilidade de chegar no seu trabalho hoje e pedir as contas. Mas vamos refletir juntas? O que há além disso? Existem outras opções? Não gosto da expressão “fazer alguma coisa é melhor que não fazer nada” mas penso que neste caso em particular ela se aplica bem.

Recorro a Ezzo novamente para defender meu argumento:

“Tempo de brincadeira com a mamãe – A hora deve ser estruturada em sua rotina diária (…) Mesmo que sejam apenas 10, 15 ou 20 minutos por dia, isso demonstra à criança que é especial.” ¹ (se você achou este argumento fraco pode passar para o próximo post 😉 )

Então,  criemos alternativas que sejam viáveis financeiramente, como reduzir a jornada diária, complementar a renda com algum trabalho que se possa fazer a partir da própria casa, reduzir gastos…dedo na ferida de novo: é mesmo necessário fazer as unhas no salão toda semana? De quantas hidratações dá pra abrir mão sem deixar que o cabelo vire a vassoura da bruxa? Todas essas bolsas e sapatos são mesmo essenciais? O perfume só pode ser esse ou tem opções mais em conta de boa qualidade? Netflix, tv por assinatura, wi-fi, internet móvel também podem ser reavaliados (eu mesma fiz umas mudanças recentes nestes quesitos e consegui uma boa economia). Você precisa mesmo de uma diarista e ela tem mesmo que vir três vezes por semana? (Desculpem-me, meninas. Sempre vai ter alguém em condições de contratá-las). Veja, isso é um brainstorm. Cada uma de nós deve se fazer as suas indagações de acordo com seu estilo de vida. Talvez nada do que eu falei agora se encaixe na sua realidade mas tem uma outra coisa aí, específica sua, que você já sacou que daria, sim, pra cortar de seus gastos. Agora, antes de avaliar honestamente do que podemos nos desfazer no tocante às despesas, tenhamos muito claro em nossa mente o objetivo disto que é investir tempo na formação de nossos filhos. Aí sim, podemos pesar corretamente as coisas.

Agora vamos ver a outra face da moeda. Até agora falamos do trabalho que visa suprir necessidades financeiras. Vamos falar de carreira profissional.  Há alguns anos, ouvi duas mulheres bem sucedidas profissionalmente dizerem que estariam abdicando de suas posições no trabalho, também encarando a consequente redução de renda familiar, para estar mais tempo dentro de seus lares cuidando de seus filhos. Uma delas era médica ultrassonografista com várias especializações. Alguns amigos zombaram dela quando ela anunciou a decisão de ocupar apenas um posto de trabalho e abrir mão dos outros, apenas para estar em casa cuidando do seu lar. Disseram que ela iria colocar todos os seus diplomas em molduras e pendurar na cozinha da casa.

A outra mulher era uma psicóloga que também ocupava alguns postos de trabalho. Ela disse que,  desde o nascimento do primeiro filho, ela e o marido decidiram que só ele iria trabalhar daquela forma. Ela continuaria atuando em sua área de formação mas trabalhando para si mesma, não tendo necessidade de cumprir carga hora em um posto de trabalho fixo. E reduziu o número de atendimentos por semana. Obviamente, também houve redução de renda familiar e mudança no padrão de vida. Mas estes dois casais estavam seguros de que ao tomar essa decisão estariam preservando o seu maior tesouro.

__________________________________________________

1. EZZO, Gary e BUCKNAM, Robert. Educando Infantes – como criar filhos  de 2 a 3 anos. 1a edição. São Paulo: Universidade da Família, 2012: São Paulo, pág 50.

Continua

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