De Gênesis a Apocalipse, Mãe Esposa, Sem categoria

Família e responsabilidades

Olá, pessoal!

Nosso texto de hoje é um presente preparado, exclusivamente para nós, pelo pastor batista César Augusto Toselli e trata de um tema de grande importância para a saúde da família: desenvolvimento de papéis e responsabilidades.

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A responsabilidade na família*

 

Estamos vivendo dias em que notamos mudanças radicais em muitas áreas da vida humana. Uma das instituições que tem sido mais afetadas com essas mudanças é a família, que tem sofrido profundas alterações na sua composição, na forma de relacionamento – tanto no âmbito interno quanto no externo – e, também, nas responsabilidades, com a diminuição da sua privacidade. O que é íntimo ou privado na família moderna tem cedido espaço para o interesse público.

Temos verificado que, na família moderna, por causa de diversos fatores, os papéis dos seus integrantes não têm mais uma definição pré-estabelecida. As mulheres têm ocupado cada vez mais um papel de destaque na composição do orçamento familiar. Esposas que antes eram donas de casa exercem atividade econômica e geram renda para a manutenção familiar. Não é raro ter mulheres em posição de destaque em instituições públicas e privadas. E, em contrapartida, muitas vezes, encontramos famílias nas quais os homens têm se ocupado com as atividades do lar, para suprir a ausência de suas mulheres que estão no trabalho. Os papéis da antiga família tradicional, onde os maridos eram os provedores, têm sido radicalmente modificados e invertidos. Na Bíblia, quando Paulo orienta os líderes cristãos sobre os assuntos familiares, ele salienta a importância que os homens têm em relação aos seus lares (1 Timóteo 3:4). Portanto, essa é e sempre foi uma função do homem e não pode ser delegada única e exclusivamente à mulher. Os costumes antigos pareciam impor que as mulheres deveriam se ocupar integralmente com as responsabilidades e administração dos lares, enquanto os maridos saiam em busca do sustento e provimento da família, geralmente trabalhando fora.

O fato é que, na atualidade, cada família tem as suas necessidades, suas prioridades e dificuldades, portanto deve adotar a melhor solução dentro das suas possibilidades e capacidades. Mas o que preciso ressaltar, e não me refiro ao aspecto material das responsabilidades do homem e da mulher na família, é o papel integral que o homem exerce no seu lar. Integral no sentido muito mais amplo do que apenas ser um “provedor” ou “protetor”. A função do homem, no matrimônio, é muito mais abrangente. É ele quem deve suprir espiritualmente o lar.

Deus comissionou os homens para essa tarefa. No Éden, somente quando o homem (Adão) transgrediu a determinação de Deus é que houve a consumação da queda. O homem precisa estar à frente na área espiritual, mesmo que esteja cuidando do seu lar ou em situação de desemprego. Deve tomar todas as iniciativas nesse sentido e não se omitir ou, como em muitas ocasiões, deixar sob a responsabilidade da esposa esse importante ministério. Em muitas famílias as mulheres têm tentado suprir a inércia dos maridos nesse mister e, não raro, conseguem excelentes resultados, mas essa não é a orientação e a visão de Deus para a família. Quando o homem assume efetivamente a sua responsabilidade, tudo se transforma e a família começa a prosperar com força total em todas as áreas, pois está agindo de acordo com o que foi estabelecido pelo Senhor.

Portanto, e talvez seja por isso que a família está sendo afetada, o homem não deva “delegar” suas responsabilidades para a mulher ou para qualquer outro familiar. Se algo não vai bem é ele quem deve tomar prontamente a iniciativa de se dirigir ao Senhor para buscar orientação e, acima de tudo, estar pronto para agir. Quantas mulheres se vêem obrigadas a levar um pesado fardo nas costas, resolvendo sozinhas os problemas enfrentados pelos filhos, passam a ser as principais conselheiras deles em todas as áreas e os maridos mantêm uma atitude passiva, para não dizer omissa. Outro dia, presenciei uma briga envolvendo um casal: o marido estava no bar, bebendo e se divertindo com os amigos durante a madrugada enquanto sua esposa cuidava sozinha do filho pequeno, em casa. Ela entrou em desespero e foi buscá-lo no bar, levando a criança junto!

Existem pais que se omitem, ou fingem que não estão vendo, quando os filhos passam a se relacionar com pessoas desconhecidas, mudam seus hábitos e deixam de dar satisfação e respeito. A Bíblia ensina que os filhos entregues à sua própria vontade estão muito propensos a fazerem besteiras!

Penso que a maior causa da desestruturação dos lares, com todas as consequências que isso pode trazer (filhos envolvidos com drogas e crime, gravidez precoce, esposas e filhos deprimidos e outras mazelas dos dias atuais) é a omissão do homem no cuidado para com a sua família. Lembro da presença do meu pai na minha vida. Teve um período em que ele esteve desempregado e ele se dedicou a me ajudar nas atividades da escola. Resultado: Me tornei um dos melhores alunos da sala! Depois que ele voltou ao trabalho recuei paulatinamente ao meu patamar de aluno mediano. Esse é um pequeno exemplo acerca da influência e importância do pai na vida de um filho.

Em muitos lares, encontramos o famigerado costume de ter tempo de qualidade com a família. Sempre falo que não gosto desse conceito “tempo de qualidade”. Nessas famílias, um dos pais ou ambos, que sempre estão distantes pelos mais variados motivos, colocam na sua mente que podem se ausentar do convívio familiar o ano inteiro, mas, nas férias, que geralmente não duram mais que uma semana, terão um tempo “de qualidade” em família! O que os filhos querem, e o cônjuge também, é a sua presença permanente, o seu contato físico, a sua atenção e carinho. E penso que isso tem faltado muito na sociedade atual. Talvez seja esse o principal motivo da mudança na composição tradicional das famílias. As mulheres e os homens não têm encontrado nos modelos tradicionais o afeto, a atenção, o carinho e amor que fazem tanta diferença num relacionamento e que são o motivo fundamental da sua existência.

Quem sabe, se voltarmos a nos preocupar mais com as pessoas e com o que sentem, possamos imprimir um novo tempo e uma nova direção nos relacionamentos e nas nossas vidas como um todo. É possível que a intensidade e a qualidade dos relacionamentos se tornem mais presentes nas famílias, independentemente do seu padrão social ou cultural. Se Deus estabeleceu as coisas como o fez é porque existe algum motivo que talvez ainda não consigamos entender mas, na prática, se o adotarmos, teremos sucesso e felicidades, principalmente na área dos relacionamentos.

Muitas pessoas reclamam hoje da distanciação entre as pessoas, mesmo os familiares, gerada pelo advento da tecnologia. Pais e filhos num mesmo ambiente, sem interação, cada um focado no seu celular, computador ou em algum programa na TV, sem conversarem uns com os outros por longos períodos. Essa é outra coisa que pode e deve ser remediada com a ação. Sim, pois, a partir do momento em que um filho recebe atenção dos seus pais e irmãos, ele automaticamente passa a interagir com eles e vice-versa. Quem já não presenciou uma cena em que um pai chama um filho para jogar bola ou ir para o parque com ele se divertir em alguma atividade? Dificilmente a criança recusa.

Não se deve esperar os filhos crescerem para nos darmos conta da importância da companhia deles. Nessa etapa, talvez o convite para passear e se divertirem juntos ficará mais difícil. Se esse hábito vem desde a infância, com certeza ele se manterá e serão sempre momentos preciosos e inesquecíveis na vida dos pais e dos filhos. É o que falta nos dias de hoje. Os pais estão cansados (com motivo, pois chegam do trabalho exaustos muitas vezes), as crianças com muitas tarefas ou nenhuma tarefa, indiferentes ao que acontece na sua casa porque não interagem e não recebem nenhum estímulo. Devemos quebrar esse círculo vicioso e estabelecer uma nova forma de participação familiar, voltada principalmente para a convivência forte e viva que sempre será possível numa família. Aliás, é para isso que ela foi criada!

Talvez esse seja o principal desafio dos tempos modernos. Quando as famílias, as células principais da sociedade, são sadias, toda a coletividade é saudável e, infelizmente, o inverso também é verdadeiro. Onde as famílias são disfuncionais, ou sejam, não vão bem, certamente os problemas tendem a extrapolar os seus limites e saírem para gerar conflitos sociais, daí a mudança de enfoque quanto à questão da privacidade, que sai da esfera íntima para ser alvo de interesse público. O pensamento dominante é que se aquele pai ou aquela mãe não estão cuidando bem dos seus filhos, eles possivelmente se tornarão focos de problemas sociais no futuro.

Sempre é tempo de mudar e de melhorar. É difícil chegar cansado do trabalho ou, no final de uma semana exaustiva, tomar a iniciativa de sair para jogar bola ou fazer qualquer outra atividade que seja agradável aos nossos filhos e familiares. Todavia certamente esse esforço valerá a pena quando, no futuro, olharmos para os nossos queridos e constatarmos que têm uma vida plena e feliz.

Portanto, podemos fazer algo na nossa própria família ao adotarmos comportamentos que tragam dignidade e sentimento aos seus integrantes. Dialogando, vivenciando com eles os seus sucessos e reveses, prestando atenção quando tiverem necessidade de falar, advertindo quando necessário, ou seja, fazendo parte efetiva da vida deles. Cabe a cada um de nós escolher quais os métodos a serem postos em prática e isso é uma atividade constante e individual na vida familiar. Nunca termina e, uma vez iniciada, se torna uma aventura gratificante: a aventura da vida! Vale a pena experimentá-la com muita intensidade.

* César Augusto Toselli é pastor auxiliar na Igreja Batista Unida do Brás, em São Paulo, e advogado.

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