Brincando de Reciclar, Educação Domiciliar, Papos Diversos

Mapa do bairro

Muito bem, finalmente, depois de muito tempo, temos uma publicação em Brincando de Reciclar! Peço perdão pela demora aos acompanhantes do blog que curtem esse tema. A vida de uma criança envolve tantas coisas e todas tão interessantes que, às vezes, fica difícil manter o foco em uma única coisa.

Hoje, não trago exatamente um brinquedo reciclado, mas uma criação divertida feita em casa, com alguma colaboração do pequeno. Crianças um pouco maiores podem aproveitar mais a fase de criação mas, para os pequenos de 3 anos em média, o mapa pronto é pura diversão!

O que fizemos: numa folha de papel kraft risquei uma pista cheia de curvas, idas e vindas. Recortei e colei, de revistas, fotos de construções diversas: casas, prédios isolados, condomínios, sorveteria, igreja, parque. Colei umas árvores e uma foto do mar com um cruzeiro. Ainda, com caixas de sabonete, iguais às do trem de caixinha, fiz a escola de Dan numa extremidade da folha e nosso prédio na outra ponta. Consegui uma imagem da logomarca da escola em uma propaganda de revista e colei na caixinha. Também escrevi com giz de cera, direto sobre o kraft, o nome da escola e o nome do nosso prédio, junto às respectivas caixinhas de sabonete. Chamei ele para trilhar a pista com seus carrinhos e pronto! Estava feita a brincadeira! Ele continua curtindo depois de mais de uma semana que fizemos. E brinca de várias formas – anda por cima, aposta corrida com os carros, fantasia historinhas, desenha tudo, enfim, livre para desfrutar e assimilar do jeito que a imaginação mandar. Sim, porque acredito que na brincadeira livre e espontânea, curiosidades naturais surgem, dando origem a diferentes experimentos por parte da criança, que tem melhor assimilação daquilo que, por si, só descobriu. Detalhe: a idéia desse mapa nasceu das brincadeiras dele. Isso mesmo. Observando a forma como ele vinha usando a imaginação ultimamente, as interações que criava com seus brinquedinhos, as historinhas que criava, fazendo justamente essa referência do deslocamento de um lugar ao outro.

Agora, quanto ao “mapa” em si, tive um professor de Cartografia, chamado Cosme, que me daria nota abaixo de zero, se isso fosse possível. Mas quis fazer assim, bem simples mesmo, porque achei que seria o suficiente para a diversão dele, na idade em que está. Além do mais, ele estava o tempo inteiro participando do projeto e “me ajudando”, o que me obrigou a ser bem prática. E essa é a idéia principal do brincar de reciclar – fazer e se divertir junto, sem tanta preocupação com a perfeição do projeto, ou seja, qualquer pessoa pode fazer algum brinquedo reciclado para diversão em família, mesmo que no possua nenhum talento para artes. Mas você pode usar sua imaginação e habilidades para construir algo mais elaborado se desejar e, principalmente, se seu filho tiver idade para acompanhar. Penso em fazer novamente daqui há algum tempo, com ele um pouco maior.

Outra coisa é que mesmo estando na pré-escola a criança pode, e deve mesmo, ter esse tipo de experiência de de brincadeira e aprendizado em seu lar. Normalmente nos preocupamos muito com isso antes da escola e depois relaxamos mas, a verdade é que a criança aprende o tempo todo e podemos aproveitar, naturalmente, as oportunidades, sem forçar a barra e sem sobrecarga. O aprendizado, neste contexto (e não só neste), deve ser prazeroso e espontâneo. Mais uma vez recorro a Augusto Cury: “A intensidade da emoção determina a qualidade do registro.” Aquilo que é melhor vivenciado é melhor internalizado.

Abaixo, algumas fotos para você perceber a simplicidade dessa brincadeira:

Agora é sua vez!

Observe as brincadeiras de seu filho e se aventure num brinquedo feito por vocês!

De Gênesis a Apocalipse, Educação Domiciliar, Geral

Lições para a vida: ensinar pelo exemplo

Nas estações do metrô em nossa cidade, há uma campanha de doação de roupas para pessoas carentes. Uma ótima iniciativa! Embora nossa família já cultive, há muitos, anos o hábito de doar todas as roupas que não são mais usadas por qualquer razão, desde que em boas condições, achei esta campanha uma ótima oportunidade para demonstrar a Daniel, de forma prática, o exercício da solidariedade. Separamos juntos, em casa, as roupas que seriam doadas, e todos nós contribuímos com alguma peça. Colocamos a roupa dele em uma sacolinha a parte para que ele mesmo pudesse levar e depositar na caixa coletora. Enquanto arrumávamos as sacolas aproveitamos para falar com ele sobre ajudar as outras pessoas, sobre sermos gratos pelo que temos e sobre dividir. Saindo de casa, encontramos um dos funcionários do condomínio, a quem ele foi contando o que estava indo fazer e porque.

Muito se fala sobre as virtudes que desejamos ver em nossos filhos a medida que eles forem crescendo, e podemos ensinar várias coisas através de palavras, com muitas explicações convincentes. Porém, tenho plena certeza de que nada é mais relevante para a memorização do aprendiz do que a vivência daquilo que se aprende. Principalmente, se ele puder observar a prática na vida daqueles que pretendem lhe ensinar. A melhor maneira de ajudar uma criança a tornar-se um adulto honesto, respeitador, íntegro e justo é sendo honesto, respeitador, íntegro e justo em sua própria conduta enquanto caminha lado a lado com a criança pela vida. As crianças necessitam muito menos de discursos sobre o que é certo e muito mais de bons exemplos a seguir, nos quais possam se espelhar. Como têm percepção aguçada, podem captar facilmente o quão convictos nós somos daquilo que pretendemos lhes ensinar. E, logicamente, se alguém não pratica o que defende, não importa o quão caloroso e eloquente seja o seu discurso sobre aquilo, ninguém será convencido. Uma vez li num livro a seguinte frase: “Como podemos criar filhos apaixonados por Jesus?”, e a resposta era: “Sendo nós mesmos apaixonados por Ele.”

Não tenho dúvidas de que esta experiência, primeira de muitas na vida dele, tenha deixado fortes impressões nele e ajude a moldar o seu caráter a fim de que, quando chegar o momento,  seja ele mesmo quem tomará a iniciativa de doar um pouco de si em favor do seu próximo.

Educação Domiciliar, Geral, Papos Diversos

Cozinhando com a mamãe

Criança na cozinha é proibido! A gente compra aqueles mini portões e restringe o acesso dos pequenos a um local da casa onde praticamente tudo é perigoso para eles.

Mas…sempre tem um mas, né… eles são tão curiosos sobre as coisas sérias que nós, os adultos, fazemos; se interessam mais pelo “mundo de verdade” do que pelos brinquedos que lhes damos, muitas vezes, até, réplicas das nossas traquitanas de adulto – ferramentas de plástico, panelas e talheres de brinquedo, vassouras infantis.

Não somos loucos ou irresponsáveis o suficiente para dar às crianças acesso irrestrito a tudo quanto seus olhinhos inquietos cobiçarem, porém, existe um meio termo onde podemos favorecer a aprendizagem espontânea das crianças por meio da curiosidade natural a elas. Então, como pensa John Holt, uma boa prova de amor seria não apenas proteger a criança de tudo quanto possa lhe oferecer o mínimo risco mas, também, apoiá-la em suas aventuras e descobertas mais ousadas, deixando-a livre para explorar, experimentar e conhecer por si mesma aquilo que lhe desperta interesse, enquanto nós, em segundo plano, garantimos sua segurança.

E, às vezes, as restrições que impomos às crianças nem tratam exatamente de segurança. São questões de limpeza, trabalho, comodidade ou, simplesmente, a negativa por ela mesma. Já estamos tão acostumados a dizer não aos pequenos que em algumas ocasiões o fazemos sem pensar.

Todo este introdutório foi para falar de um momento muito legal que desfrutamos aqui em casa. Há algum tempo venho colocando Daniel a par das atividades da cozinha. Em nossa casa não temos o portão, o que torna nossa vigilância sobre ele (e sobre nós mesmos) dez vezes mais acirrada. Mas é um trabalho ao qual nos propomos. Já por duas ou três vezes o convidei para fazer um bolo comigo. E a cada vez vou dando a ele novas permissões, conforme ele vai conquistando minha confiança. A princípio eu apenas permitia que ele se distraisse com a tigela, mexendo no conteúdo dela com a colher. Depois passei a entregar a ele algum ingrediente, já medido, pra que ele mesmo o acrescentasse. Ultimamente, ele tem andado muito interessado em ovos e tem sido uma luta aqui em casa para utilizar os tais ovos porque ele sempre pede pra segurar e nós, obviamente, não deixamos. Porque ele não sabe a diferença entre ovos cozidos – nos quais ele pode pegar – e crus.

Bem… ele não sabia. Na última vez em que fiz um cuscuz para o café, resolvi que era hora de deixar ele descobrir por si só. Entreguei o ovo e expliquei porque não ele deveria deixar cair no chão. Ele ficou em êxtase! E tomou, sim, muito cuidado com o ovo. Mas, sempre tem um mas, o ovo acabou caindo e quebrando aos pés dele. A reação foi de espanto e medo de que eu reclamasse com ele, o que obviamente não fiz. Pegamos outro ovo e fomos para a mesa, nossa bancada de experimentos. Coloquei uma xícara sobre um prato e entreguei o ovo a ele, pedindo que quebrasse dentro da xícara. Sem hesitar, ele catou uma colher em cima da mesa e pôs-se a martelar o ovo, até que rachou. Ficou super empolgado com o feito e pediu outro. Quebramos outro ovo. Em seguida, apenas, coloquei os ovos na frigideira e comecei a preparar no fogão – ovos mexidos pra comer com o cuscuz – mostrando a ele todo o processo. Coloquei a cadeira – onde ele estava em pé quebrando os ovos – dentro da cozinha, a uma distância segura do fogão, e mostrei o processo dos ovos que ele havia quebrado se transformando em ovos mexidos. Depois comemos e ele sabia que havia ajudado a preparar aquela refeição.

De outra vez preparei um Danone de inhame de banana junto com ele e, dessa vez, aproveitei de verdade a ajuda. Deixei que ele descascasse, cortasse e amassasse as três bananas que utilizamos enquanto eu fazia outra coisa (bem, tirar fotos também fazia parte da receita rs). Dei a ele uma faca plástica, por segurança, mas o garfo foi de metal mesmo. O resultado do Danone foi ótimo e o da satisfação dele por ter feito parte de algo que eu estava fazendo, melhor ainda. Ele não se machucou, se sentiu integrado às atividades da casa e, é claro, que eu levei muito mais tempo que o normal para preparar cada coisa mas, também, me diverti e aprendi muito mais do que se tivesse apenas preparado uma receita.

Já estou bolando o próximo prato para prepararmos juntos. ❤

Conta a sua história, Educação Domiciliar, Papos Diversos

Uma janela para o mundo

Meu pequeno Dan está hoje com 2 anos e 10 meses.

Ele reconhece vários tipos de veículos: carro, ônibus, moto, bicicleta, metrô, avião, helicóptero; alguns tipos de modelos: kombi, van, jipe; e as funções de alguns deles – trator, caminhão baú, caminhão cegonha, caminhão reboque, caminhão de lixo, caminhão pipa, caminhão caçamba, carro de polícia, ambulância, ônibus do exército… e eu provavelmente estou esquecendo algum 😀

Sabe o nome do condomínio onde mora e o nome dos dois condomínios vizinhos. Sabe o nome de uma grande avenida que leva ao centro de nossa cidade. Acha lindo o pôr do sol. Fica um pouco triste, às vezes, porque “o sol já vai dormir”, mas acha “uma coisa linda!”

Gosta de olhar o pedacinho de mar e os navios por entre os prédios – “os altos, os bem altos, os de longe, os de mais longe ainda.”

Ele vê essas coisas da janela de nossa casa, no colo da avó, e tudo isso é fruto das conversas que tem com ela enquanto, da janela, eles observam o que se passa em volta. Claro que também vê muitas coisas de perto, quando saímos juntos. Amanhã, por exemplo, vamos aos Correios postar um livro e ao ateliê de costura buscar as roupas que deixamos para reparo na semana passada.   [Atualizando: já fomos e agora ele conhece mais um carro e sua função – o carro dos Correios]. Sim, ele vai comigo resolver “coisas importantes”, sempre que possível. E, no caminho, vemos e falamos sobre muitas coisas.

Mas na janela de nossa casa ele tem uma visão bem ampla e um diálogo muito especial com a vovó, que tem todo o tempo, dedicação e disposição para ensinar a ele sobre tudo o que ele se interesse ao ver. Ali da janela, nos braços da vovó, ele viu uma nova pista ser criada transversal à principal. Todos os dias ele observava um trator trabalhando. Depois apareceu outro, menor. Agora eram dois tratores. Na hora do almoço, “o trator ficava parado, porque o rapaz que trabalhava no trator tinha ido pra casa almoçar e descansar”. Outro dia ele descobriu uma pista nova, que sobe para as garagens de um condomínio numa pequena colina do outro lado da rua. Ele vê os soldados do batalhão próximo fazendo o treino matinal de corrida em volta da praça, “malhando e, também, cantando”. Vê os carros pararem quando o semáforo fecha e seguirem quando ele abre. Vê os cachorrinhos indo passear e os portões dos condominios abrindo para os carros entrarem. Viu as luzes do presépio (montado na praça por ocasião do Natal) se acenderem todos os dias. E, sempre que ele notava que “o sol estava indo dormir”, corria pra janela pra “ver se as luzes já estavam acesas”. E, imediatamente após, corria para a janela do meu quarto, todo frenético, para “ver se as luzes do Bosque já estavam acesas também” (as decorações de Natal do condomínio ao lado).

Vale ressaltar que boa parte do que descrevo acima chega até mim contada por ele mesmo, quando chego do trabalho (É, sou uma mãe que trabalha fora mas, voltaremos a falar sobre isso outra hora).

Dan tem o grande privilégio de ter uma vovó que mora com ele e todos os dias lhe ensina coisas novas. Apresenta a ele o mundo ao vivo e a cores até onde a visão da janela alcança. E enquanto muitas coisas são mostradas e nomeadas, outras tantas são explicadas, e belos diálogos se desenrolam, ali na janela.

O objetivo deste post? Valorizar os avós, homenagear minha mãe, incentivar o convívio dos pequenos com esse membro precioso da família, falar sobre a eficácia do aprendizado a partir da realidade que cerca a criança, estimular o diálogo consistente…não sei. Talvez de tudo isso um pouco. O fato é que este tempo de qualidade tem sido muito proveitoso para o desenvolvimento de Daniel e, porque não dizer também,  para a higiene mental da vovó! 🙂

Bem, relato feito e compartilhado. Espero que seja de proveito para algumas de vocês!! 😊