De Gênesis a Apocalipse, Educação Domiciliar, Papos Diversos, Parada Literária

Próximo, junto, presente!

Novamente falando sobre o quão relevante é para os filhos a presença dos pais.

Presença de qualidade, prazerosa, intencional. Em meio ao caos do seu dia atarefado, você busca ocasião para estar junto; cria oportunidade; se esforça; sacrifica alguma outra coisa, mas não sua família. Sua família está em primeiro lugar e eles sabem disso. Falo aqui a homens e mulheres – pais e mães. O crescimento profissional é importante, o sustento material da família é necessário, porém, equilíbrio em tudo o que fazemos é o pulo do gato! Tudo de mais é sobra. Se você trabalha tanto, para dar “o melhor” à sua família, que não tem tempo para ficar com sua família, do que adianta? Principalmente no que diz respeito às crianças. Elas não se importam com a maioria das coisas materiais que nós, adultos, julgamos serem tão necessárias para elas. Com certeza, se pudessem, algumas delas diriam: “Tudo bem, prefiro continuar com a velha TV da sala e ter você (pai ou mãe) duas horas mais cedo em casa todos os dias.” Quando ainda são menores tenho certeza que isso se aplica na maioria (senão em todos) dos casos. Quando já têm um pouco mais de idade,  a partir dos 5 ou 6 anos, creio eu, isso depende de como ela passou a primeira infância: bastante tempo com os pais ou com as coisas dadas pelos pais? Se for a última opção, provavelmente teremos nas mãos um adolescente exigente, frio e distante para termos de lidar. Não estou dizendo que coisas não devem ser dadas, ou adquiridas. Digo que se o custo para se obter tais coisas for passar mais tempo longe da família, trabalhando mais, para poder pagar por elas, não vale a pena.

Veja este trecho do magnífico livro Educando Meninos, de James Dobson, que fala mais a respeito:

Quando a hostilidade e a rebelião começam a aparecer, como você impede seus filhos (e filhas) de explodirem e fazerem algo idiota? Já tratei desse assunto em outros livros, mas quero oferecer uma descoberta que não havia compartilhado antes. Um Estudo de Saúde pesquisou 11.572 adolescentes para determinar quais os fatores mais úteis para a prevenção do comportamento negativo, tal como violência, suicídio, uso de drogas, comportamento sexual precoce e gravidez na adolescência.
Estes foram os resultados da pesquisa: A presença dos pais é muito positiva em quatro momentos críticos do dia — de manhã, depois da escola, na hora do jantar e na hora de dormir. Quando esse contato regular é combinado com outras atividades compartilhadas entre pais e filhos, um resultado altamente positivo é obtido. Os pesquisadores observaram também que os adolescentes que tinham um sentimento de ligação com os pais (sentimentos de calor, amor e cuidado) tinham menos probabilidade de se envolverem em comportamentos prejudiciais.

Alguns de meus leitores talvez perguntem: “Como posso estar com meu adolescente de manhã, à tarde e à noite? Tenho muito trabalho a fazer”. Na verdade, você tem simplesmente de decidir o que é mais importante para você a esta altura. Não vai ser tão importante daqui a alguns anos, mas sua disponibilidade agora pode fazer a diferença para seu filho entre sobreviver ou pular do penhasco.
Meus pais tiveram de enfrentar essa escolha difícil quando eu tinha 16 anos. Meu pai era um evangelista que viajava a maior parte do tempo, enquanto minha mãe ficava em casa comigo. Durante a adolescência, comecei a ficar implicante com minha mãe. Nunca cheguei à rebelião total, mas estava definitivamente namorando a possibilidade. Nunca esquecerei a noite em que minha mãe telefonou para meu pai. Eu estava escutando quando ela disse: “Preciso de você”. Para minha surpresa, meu pai cancelou imediatamente uma lista de quatro anos de reuniões, vendeu nossa casa e mudamos para o sul. Assumiu ali um pastorado para poder ficar comigo até que terminasse a escola secundária. Aquele foi um enorme sacrifício para ele, do qual nunca se recuperou profissionalmente. Mas ele e minha mãe sentiram que meu bem-estar era mais importante do que as suas responsabilidades imediatas. Meu pai ficou em casa comigo durante aqueles anos difíceis quando eu poderia ter entrado em sérias dificuldades. Quando falo com reverência de meus pais hoje, como costumo fazer, uma das razões é por terem dado prioridade a mim quando eu estava escorregando para perto da beirada. Você faria o mesmo pelo seu adolescente? Você talvez não seja chamado para fazer uma mudança assim radical em seu estilo de vida. A solução é, às vezes, muito mais simples, segundo um estudo conduzido pelo dr. Blake Bowden, do Hospital Infantil de Cincinnati. Ele e seus colegas pesquisaram 527 adolescentes para saber que características de família e de estilo de vida estavam relacionadas com a saúde e o ajuste mental. O que eles, mais uma vez, observaram foi que os adolescentes cujos pais jantavam com eles cinco vezes por semana ou mais tinham menos probabilidade de usarem drogas, ficarem deprimidos ou terem problemas com a lei. Tinham também mais probabilidade de
se saírem bem na escola e de serem cercados por um círculo de amigos que serviam de apoio. O benefício foi visto até para as famílias que não comiam juntas em casa. Os que se reuniam em restaurantes fast-food tiveram os mesmos resultados. Em contraste, os adolescentes mais desajustados tinham pais que só comiam com eles três noites ou menos por semana.”

Caros amigos, quero deixar claro que em nenhum momento ignoro o fato de que o Dr. Dobson fala a partir da perspectiva da sociedade norte americana, à qual também se referem as pesquisas que lhe servem de apoio. Porém, o que acho importante destacar – e por isso considero que esta leitura vale a pena, também, para nós – é a realidade de que precisamos ser pais presentes, e isso é verdadeiro em qualquer sociedade. Este é um aspecto. O outro, é que talvez tenhamos de fazer o esforço de encontrar soluções que sejam mais adequadas à nossa realidade, mas precisamos fazê-lo. O alerta que fazem ecoar estes e outros estudos é que nossas crianças e nossos jovens tendem a enfrentar grandes problemas para os quais,  nós,  pais, somos a melhor solução, ou, até mesmo, a prevenção. E a única coisa que temos que fazer é estar presente!

Fica o convite para nossa reflexão.

Até a próxima!

 

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1 – DOBSON, James C. Educando meninos [livro eletrônico] / James Dobson; traduzido por Neyd Siqueira. — São Paulo:Mundo Cristão, 2013, pág 84 e 85.

Educação Domiciliar, Papos Diversos

Opções para a mãe que trabalha fora (mas queria ficar em casa)

Olá, mamães!

Retomando o assunto sobre a importância da nossa presença em casa, vamos partir para algo mais prático e menos desesperador: opções.

O que nós,  mães que precisam trabalhar fora por questões financeiras mas gostariam de ficar em casa com os pequenos, podemos fazer para tentar solucionar nossa difícil equação?

Vamos atacar em duas frentes: redução de custos e geração de renda. Neste post, falaremos de redução de custos.

No primeiro post sobre o assunto, lancei no ar algumas possibilidades de fazermos economia. Hoje vamos destrinchar melhor cada uma delas e falar sobre outras.

  • Salão de beleza: reavalie suas necessidades, veja o que você pode fazer em casa sozinha ou com ajuda de uma amiga. Cheque as habilidades das meninas de sua turma. Alguém pode ensinar as outras a fazer uma boa maquiagem para o dia a dia, outra pode se oferecer para aplicar relaxante, pintura e tratamentos, enquanto alguém pode ser boa manicure. Lembre-se, tudo isso sem custo. Ajuda mútua. A idéia é economizar.
  • Prestação de serviços domésticos (diária, congelamento, lavanderia): tente tirar um dia na semana – sábado, talvez – para fazer você mesma. Mais uma vez a cooperação entre amigas pode funcionar bem. Ou vizinhas também,  que podem se tornar amigas depois disso. (Perdemos o senso de comunidade. É cada um por si. Quem topa tentar quebrar isso?) É por uma boa causa. Você pode fazer uma boa economia cortando esses gastos!
  • Almoço fora: reavalie. Quantas vezes por semana?  Onde? Se você trabalha fora todos os dias da semana coloque esse custo na ponta do lápis como seu custo de trabalho. Vamos falar sobre isso mais abaixo.
  • Abastecimento da casa: onde fazer as compras é importante. Há mercados que vendem em atacado e são mais em conta. Delicatessen não é lugar de fazer compra de mês. A padaria da esquina é uma tentação. Você nunca sai de lá apenas com o produto que foi buscar. Procure abastecer sua despensa de uma só vez, o tanto quanto possível.  Alguns itens são melhores e mais baratos se comprados em feiras. Procure as feiras do seu bairro. Frutas, legumes e verduras dificilmente serão melhores nos grandes mercados do que em feiras locais.
  • Energia: vire fiscal das luzes acesas (sem azucrinar o povo todo em casa, tá). Banhos quentes podem ser mais rápidos, passe as roupas de uma só vez, use lâmpadas fluorescentes, tire os aparelhos elétricos e eletrônicos da tomada à noite, não deixe aparelhos ligados se ninguém estiver assistindo, evite usar a máquina de lavar a noite (a energia é mais cara nesse horário).
  • Água: se você mora em condomínio onde a água não é individualizada poucas coisas poderá fazer aqui. A menos que inicie um movimento coletivo de economia, envolvendo o sindico, a fim de conseguirem baixar a taxa mensal do condomínio a partir da redução da conta de água. Seria espetacular uma iniciativa assim! Se você paga sua própria conta de água individualmente, além do uso moderado das torneiras e da reutilização de água que já sabemos, experimente colocar na caixa acoplada da descarga sanitária uma garrafa pet de meio litro, cheia de água. Após cada descarga, a caixa vai tornar a se encher com menos udo de água. Existem as descargas inteligentes também, mas se a sua é daquela burrinha mesmo pode usar este truque que funciona.
  • Telefonia/TV/Internet: Telefonia – Veja os pacotes família e compare com os planos individuais. Às vezes os individuais são mais vantajosos. TV – a verdade é que a maioria de nós tem pouquíssimo tempo pra desfrutar em frente à TV, mesmo quando há algo que se aproveite. Então, se ter um plano de TV fechada for mesmo essencial, opte pelos pacotes básicos. Lá já tem mais canais do que você e sua família vão dar conta de assistir.
  • Roupas: pesquisar lojas de Internet e lojas de bairro. Principalmente roupas femininas que costumam ser mais em conta que as masculinas e as infantis. Se queremos passar mais tempo em casa com os filhos pode valer muito à pena fazer um pequeno sacrifício nessa área.
  • Brinquedos: olx, mercado livre ou produção em casa. Esta última opção é ótima porque a brincadeira já começa na preparação do brinquedo e ainda pode envolver outros membros da família. Visite a sessão Brincar de Reciclar aqui do blog. Lá tem alguns experimentos que fizemos aqui em casa.
  • Passeios com as crianças: lugares públicos,  locais mais próximos que dispensem a utilização de transporte, brincadeiras com amigos na casa de cada um por vez, revezando, pra variar as brincadeiras – como opção ao shopping.
  • Perfumes: lojas de essência oferecem boas opções de importados. O preparo é bem simples. As essências acompanham manuais e muitas lojas oferecem o curso de uma dia (pago). Além disso sempre tem o Google e o YouTube que ensinam de tudo.

Para a mãe que trabalha fora e gostaria muito de ficar em casa com as crianças mas não pode por causa do orçamento, proponho a seguinte equação:

R = Receita do trabalho, seu salário líquido  (após todos os descontos legais serem abatidos). É o que vem de fato para o seu bolso.

C = Custos de trabalho. Sim! A gente gasta pra trabalhar! Vejamos: custos com transporte (público ou estacionamento pago e combustível), custos com alimentação, roupas, bolsa, sapato,  maquiagem, custos com beleza  (cabelo, pele, unhas – em alguns postos de trabalho isso é necessário, mesmo que você não seja vaidosa). Também não estou dizendo que se você não trabalhar fora vai ter que virar uma bruxa. Volte para as opções acima e veja que dá pra se cuidar de forma econômica.

S = saldo é quanto você realmente recebe após abater seus custos de trabalho de sua receita líquida.

R – C = S

Agora vamos colocar na equação outro tipo de custo que envolve seu trabalho indiretamente. A manutenção de sua casa. Uma vez que você está fora o dia inteiro, cinco dias por semana, provavelmente, você talvez tenha contratado uma babá e/ou uma diarista. Ou tenha colocado as crianças na creche. Some estas despesa, abata do seu saldo, que encontramos na fórmula acima e veja quanto você realmente lucra (L) com o suor do seu rosto. Não se surpeenda se o resultado de sua equação revelar um valor que não seja assim tão compensatório, principalmente se você estiver considerando custo-benefício. Pense que se você estiver em casa, todos estes custos (C e CI) podem ser totalmente eliminados ou reduzidos significativamente e a sua necessidade de trabalhar, reavaliada.

Elenquei, aqui, apenas algumas variáveis, mas você pode montar sua própria equação de acordo com sua realidade, como outros custos que não foram mencionados etc. O importante é que você ponha à luz o quanto a sua renda realmente significa no orçamento doméstico. Lógico que estou falando aqui apenas de dinheiro, tanto para o bem quanto para o mal, porque o tema é economizar para não precisar trabalhar fora ou poder trabalhar menos horas. Não estou levando em consideração nem a realização profissional de quem trabalha e nem as vantagens afetivas de estar em casa, a despeito de qualquer lucro financeiro. Esta parte final é óbvia, pois disto é que estamos justamente tratando. Falo aqui para mães que prefeririam estar em casa a ter que trabalhar. Entendo (e conheço) mulheres que trabalham, não por necessidade, mas por prazer, por realização pessoal. Não é para elas este texto.

Para as que estão na mesma luta que eu, sugiro: faça as contas e veja se você não está pagando pra trabalhar. Já vi mães assim.

No próximo post vamos pensar em formas de ganhar dinheiro dentro de casa! Até lá.

Deixe sua participação sobre este tema aí embaixo, nos comentários. Vamos trocar idéias.

Bjos a todas e até o próximo post.

 

Educação Domiciliar, Papos Diversos

Surpresas na experiência com leitura

Olá,  meninas!

Vim contar a vocês algo interessante que aconteceu na nossa experiência de ler em casa.

Lembro de ter ouvido o Chico dos Bonecos falar que o fato de as crianças estarem se mexendo durante a contação da história não significa que não estão prestando atenção. Acredito nele, que tem muita autoridade para falar sobre isso. Só não imaginava como podia ser isso. Ah, nossa mente adulta, tão engessada em padrões …

Antes mesmo de ler o post das meninas sobre leitura, meu marido e eu tínhamos visitado uma feira literária muito boa e, lá, adquirimos alguns materiais pra Dan. Um tal livro com fotos de ursinhos, chamado Os Gêmeos Bagunceiros, foi o que fez mais sucesso com ele. Porém, ele se encantou unicamente pela parte final, porque dava muita risada na interpretação da cena que eu fazia pra ele. E não me deixava mais ler nada da história. Um texto simplezinho, nada de mais. Nada parecido com as dicas de Licia Arruda que rebloguei outro dia. O forte deste material eram as fotos dos bichinhos. Mesmo assim, ele não queria ouvir mais nada, só o final.

Passaram várias semanas já desde a última vez que lemos este.

Ontem à noite ele me surpreendeu na hora de ir pra cama. Pediu Beto (É Bob, nós dois trocamos o nome. Beto é o tio deles) na cama. Tenho lido na cama com ele, antes de dormir. Eu perguntei: Beto e Bela?” pra me certificar que era isso mesmo. Ele disse que sim e ainda me disse: “Eh, os gêmeos bagunceiros! Eles são teimosos!” Eu disse que não, que eles eram bonzinhos e obedeciam a mamãe deles. Aí ele disse: “Eles são aventureiros, igual Dora!” Nessa altura eu já comecei a perceber que ele lembrava mesmo de alguma coisa da historinha. Aí ele falou, creio que querendo explicar o por que de chamar eles de aventureiros e teimosos: “A mamãe deles disse pra ficar longe do rio. Eles sabem nadar não!” Fiquei pasma! Aí provoquei: “E eles gostam de brincar do que, filho?” Sem hesitar ele disse, com um sorriso enorme de satisfação no rosto: “De lutinha!” Foi demais! Ganhei a noite ontem. E eu achando que ele não estava gostando da história e nem prestando atenção rs!

E o melhor é que sei que se eu tiver exagerado na babaçāo da cria vocês vão me entender ;-D

Até a próxima aventura na leitura!

 

De Gênesis a Apocalipse, Educação Domiciliar, Geral, Papos Diversos, Parada Literária

Mães de volta ao lar II

Colegas mamães,

 

Espero que o post anterior não tenha deixado muitas de vocês de cabelo em pé e nem chateadas comigo. Até porque este aqui é uma oportunidade muito melhor pra isso rs. Mas dessa vez não virei sozinha! O prometido texto do livro Educando Meninos¹, do dr. James Dobson, é quem vai falar tudo. Na verdade, não tenho mesmo nada a acrescentar – ele é completo, profundo, direto e detalhado. É um trecho grande para citar mas achei impossível retirar qualquer coisa dele sem prejudicar a essência. É tudo tão importante de ser ouvido por nós! Sem mais delongas, com a palavra dr. James Dobson.

“Em vista da natureza delicada das crianças pequenas, é talvez compreensível por que eu continuo firmemente contrário à colocação delas nas creches, a não ser que não haja alternativa. Pode até parecer que as crianças estão lidando adequadamente com uma série de babás temporárias, mas elas foram destinadas a ligar-se emocionalmente com a mãe e o pai e desenvolver-se com segurança na proteção de seus braços. Essa crença foi raramente desafiada durante cinco mil anos, mas muitas mulheres hoje acham que não têm escolha além de voltar ao trabalho o mais depressa possível depois de dar à luz. Se você é uma delas, deixe-me dizer respeitosa e compassivamente que compreendo as pressões financeiras e emocionais que você enfrenta. Mas, para as mães recentes que têm outras opções, eu recomendaria enfaticamente que não entreguem seus bebês para as creches, muitas das quais têm funcionárias que ganham pouco e não possuem suficiente treinamento. Elas também não compartilham sua dedicação irracional a essa criança.
Minha opinião sobre este assunto é comprovada. O Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano conduziu o estudo mais abrangente sobre este tema feito até hoje. Mais de 1.100 mães e crianças em dez dos principais centros de cuidados nos Estados Unidos foram avaliadas quando as crianças tinham 6, 15, 24 e 36 meses. Os resultados preliminares foram publicados no jornal USA Today, como segue:
As mulheres que trabalham se preocupam em deixar seus filhos pequenos aos cuidados de outras pessoas, com medo de prejudicar o relacionamento entre eles. Notícias do governo federal confirmam que têm razão em preocupar-se. Quanto mais horas a criança fica com outros nos três primeiros anos de vida, a tendência é de uma interação menos positiva entre mãe e filho.
As descobertas preliminares confirmam que deixar uma criança muito pequena numa creche significa menos envolvimento sensível entre mãe e filho. A criança tende também a reagir menos positivamente à mãe. Em outras palavras, o elo entre mãe e filho é um tanto afetado pela experiência, especialmente quando a natureza da mãe inclina-se para a insensibilidade.
Esses dados foram expedidos quando o estudo não estava ainda completo. Ao ser concluído em 2001, os pesquisadores anunciaram descobertas ainda mais perturbadoras. Eles disseram que as crianças que passavam a maior parte do tempo nas creches tinham três vezes mais probabilidades de apresentar problemas comportamentais no jardim de infância do que as cuidadas principalmente pelas mães. Esses resultados foram baseados em avaliações das crianças pelas mães, pelas pessoas que cuidavam delas e pelas professoras do jardim de infância. Havia uma correlação direta entre o tempo passado na creche e atitudes como agressão, rebeldia e desobediência. Quanto mais tempo passado nesses ambientes fora de casa, tanto maiores os problemas comportamentais. O dr. Jay Belsky, um dos principais investigadores do estudo, disse que as crianças que passam mais de trinta horas por semana em creches ‘são mais exigentes, insubmissas e agressivas. Elas tiveram mais pontos em relação a: participar de mais brigas, crueldade, provocação, mesquinharia, assim como falar demais, exigir que suas demandas sejam imediatamente satisfeitas’.
Depois da publicação deste estudo, houve grita das comunidades liberais, que afirmam há anos que as crianças dos centros de cuidados infantis vicejam melhor.
Elas atacaram a metodologia do estudo e consideraram inválidas as suas descobertas. Outras exigiram mais dinheiro federal para programas de qualidade para as creches. Não há dúvida de que melhores opções são necessárias para os pais que precisam depender das creches. Todavia, tenho uma ideia melhor. Por que não reduzir os impostos sobre os pais, a fim de que as mães possam fazer o que a maioria delas deseja desesperadamente — ficar em casa com os filhos?”

Eu também tenho idéias melhores, como pagar decentemente o salário de um trabalhador para que não sejam necessárias duas (três, quatro…) rendas numa casa a fim de que se possa sobreviver com dignidade! Mas isso também é outro assunto.

Na continuação deste tema vamos falar com mais detalhes sobre formas de reduzir  as despesas e, também, de auferir renda sem sair de casa ou saindo o mínimo possível. Vou postar minhas sugestões e resultados de pesquisas e também quero ouvir vocês.

Até lá!

Bjos!

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1 – DOBSON, James C. Educando Meninos [livro eletrônico]. São Paulo: Mundo Cristão, 2013, pags 80 e 81.

Educação Domiciliar, Papos Diversos

Mães de volta ao lar I

Oi, garotas!

O que vou escrever hoje não é para todas, assim como, o texto sobre o qual vamos refletir, na continuação deste post. Admito que precisamos ter estômago para enfrentar certas realidades e, falando em realidades, a nossa – refiro-me ao nosso país – é bem difícil sob vários aspectos. Daí a particularidade do tema de hoje.

Ultimamente tem-se falado muito em educação domiciliar, homeschooling, unschooling, principalmente depois da suspensão temporária dos processos  em trâmite contras as famílias que decidiram adotar esta prática no Brasil. Até aí tudo bem. Mas você deve estar se perguntando: E daí? O que temos a ver com essas coisas? O fato é que educação domiciliar exige de nós um tempo de que, na atual conjuntura, a maioria de nós não dispõe. Veja que não disse que não temos esse tempo. E é aí que entra a nossa problemática de hoje. O tempo de que dispomos para nosso lar, nossa família – em especial, nossos filhos.

Nos Estados Unidos, um dos principais países onde o homeschooling é livremente praticado, as condições sociais e econômicas são bastante diferentes das nossas. Daí que, a decisão de não trabalhar, para a maioria das mulheres, implica em alguma redução da renda familiar ou abdicação de uma carreira profissional, mas não muito além disso. Radicalmente oposta a isto está a nossa realidade e não vou me deter muito nos detalhes desta questão porque, além de desnecessário – pois que é óbvio – seria fugir demais da proposta de reflexão deste post. Mas, uma vez que sabemos ser realmente impossível para a maior parte das mulheres brasileiras abrir mão do trabalho remunerado, o que faremos para estar mais tempo em família, seja com intuito de praticar o homeschooling ou apenas para estarmos mais presentes?

Primeiro você precisa entender por que sua presença em casa é tao necessária e vamos tratar disso no próximo post, a partir de um texto do livro Educando Meninos, do Dr. James Dobson. Excelente livro, já antecipo.

Particularmente, tenho me sentido chamada para estar mais presente na formação do meu filho. Digo formação em lugar de educação porque aquela abrange, também, esta. Aqui me refiro a mais do que “apenas” a formação acadêmica mas, àquilo que Ezzo aponta como as áreas primordiais em que devemos instruir nossos filhos: saúde e segurança, moralidade e habilidades para a vida.

Insisto na tese de que perdemos o hábito simples do pensar – não nas contas a pagar, tarefas a cumprir, incêndios a apagar -, mas pensar sobre os rumos da nossa vida. Onde nos leva o nosso caminhar? Nossas pequenas atitudes e decisões diárias delineiam o nosso lugar no amanhã – e também o das pessoas que dependem de nós.

Mais uma vez não estou escrevendo um post com respostas prontas. Ainda as estou buscando para mim mesma. Como poderia dar uma resposta generalizada a um grande número de mulheres com as mais diversas questões? O que proponho é sairmos da zona de conforto e olharmos além do imediatismo. Fácil? De forma alguma! Você terá de quebrar paradigmas há muito enraizados, repensar conceitos e soluções para a vida que você jamais ousou questionar. Vamos pôr o dedo direto na ferida? O quanto você precisa realmente de um trabalho remunerado? Ah, eu avisei que não era para todas. Mas se você se dignou a ler até aqui, continue. Talvez você (assim como eu!) não tenha a mínima possibilidade de chegar no seu trabalho hoje e pedir as contas. Mas vamos refletir juntas? O que há além disso? Existem outras opções? Não gosto da expressão “fazer alguma coisa é melhor que não fazer nada” mas penso que neste caso em particular ela se aplica bem.

Recorro a Ezzo novamente para defender meu argumento:

“Tempo de brincadeira com a mamãe – A hora deve ser estruturada em sua rotina diária (…) Mesmo que sejam apenas 10, 15 ou 20 minutos por dia, isso demonstra à criança que é especial.” ¹ (se você achou este argumento fraco pode passar para o próximo post 😉 )

Então,  criemos alternativas que sejam viáveis financeiramente, como reduzir a jornada diária, complementar a renda com algum trabalho que se possa fazer a partir da própria casa, reduzir gastos…dedo na ferida de novo: é mesmo necessário fazer as unhas no salão toda semana? De quantas hidratações dá pra abrir mão sem deixar que o cabelo vire a vassoura da bruxa? Todas essas bolsas e sapatos são mesmo essenciais? O perfume só pode ser esse ou tem opções mais em conta de boa qualidade? Netflix, tv por assinatura, wi-fi, internet móvel também podem ser reavaliados (eu mesma fiz umas mudanças recentes nestes quesitos e consegui uma boa economia). Você precisa mesmo de uma diarista e ela tem mesmo que vir três vezes por semana? (Desculpem-me, meninas. Sempre vai ter alguém em condições de contratá-las). Veja, isso é um brainstorm. Cada uma de nós deve se fazer as suas indagações de acordo com seu estilo de vida. Talvez nada do que eu falei agora se encaixe na sua realidade mas tem uma outra coisa aí, específica sua, que você já sacou que daria, sim, pra cortar de seus gastos. Agora, antes de avaliar honestamente do que podemos nos desfazer no tocante às despesas, tenhamos muito claro em nossa mente o objetivo disto que é investir tempo na formação de nossos filhos. Aí sim, podemos pesar corretamente as coisas.

Agora vamos ver a outra face da moeda. Até agora falamos do trabalho que visa suprir necessidades financeiras. Vamos falar de carreira profissional.  Há alguns anos, ouvi duas mulheres bem sucedidas profissionalmente dizerem que estariam abdicando de suas posições no trabalho, também encarando a consequente redução de renda familiar, para estar mais tempo dentro de seus lares cuidando de seus filhos. Uma delas era médica ultrassonografista com várias especializações. Alguns amigos zombaram dela quando ela anunciou a decisão de ocupar apenas um posto de trabalho e abrir mão dos outros, apenas para estar em casa cuidando do seu lar. Disseram que ela iria colocar todos os seus diplomas em molduras e pendurar na cozinha da casa.

A outra mulher era uma psicóloga que também ocupava alguns postos de trabalho. Ela disse que,  desde o nascimento do primeiro filho, ela e o marido decidiram que só ele iria trabalhar daquela forma. Ela continuaria atuando em sua área de formação mas trabalhando para si mesma, não tendo necessidade de cumprir carga hora em um posto de trabalho fixo. E reduziu o número de atendimentos por semana. Obviamente, também houve redução de renda familiar e mudança no padrão de vida. Mas estes dois casais estavam seguros de que ao tomar essa decisão estariam preservando o seu maior tesouro.

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1. EZZO, Gary e BUCKNAM, Robert. Educando Infantes – como criar filhos  de 2 a 3 anos. 1a edição. São Paulo: Universidade da Família, 2012: São Paulo, pág 50.

Continua