Educação Domiciliar, Papos Diversos

O primeiro livro é inesquecível

Olá, mamães!

Dando continuidade à série sobre leitura, vou contar como tem sido a experiência aqui em casa.

Bom, não é a primeira vez que tento introduzir o hábito de ler para meu filho. Já havia feito algumas vezes com ele menor. Mas fiz sem muita consistência e sem certeza que aquilo daria certo mesmo. Depois de ler os artigos do blog Educação Domiciliar e de ter conhecido o professor Carlos Nadalin e suas dicas super úteis, tenho plena convicção do que estou fazendo, de como fazer e, o principal, por que fazer.

Lembrando de mim, desde pequenina, a leitura teve um papel muito importante em minha formação. Sempre havia livros, livretos e gibis em casa. Alguns deles meus pais haviam comprado pra mim quando eu ainda era bebê. Por isso, não sei precisar um momento em que tive o primeiro contato com o mundo das letras. Mas sei, com certeza, quando alguma coisa mudou – deixou de ser trivial e passou a ser especial.

O livro Memórias de um Cabo de Vassoura, de Orígenes Lessa, me transportou da “simples” decodificação dos símbolos ao mergulho para dentro do texto. E me lembro bem da sensação maravilhosa de ter meu próprio momento com a literatura. Era como se fosse um segredo agora, meu e do livro. Um mundo particular que eu partilhava com ele. Foi a minha descoberta individual. Não lembro se o livro fazia parte do currículo escolar, provavelmente sim. Mas o que fez toda a diferença foi minha descoberta pessoal. Não importa se alguém havia mandado ler aquilo. “Aquilo” agora era meu! Eu havia me apropriado da leitura e descoberto prazer em ler, independente da nota ou do que os professores podiam esperar de mim. Finalmente, me senti “independente” e autônoma!

Faço esse relato da minha experiência porque sei o quanto ela foi fundamental ao meu desenvolvimento intelectual e, por conseguinte, ao desenvolvimento do ser como um todo. Penso que esse tipo de experiência não deve ser furtada das crianças hoje, não obstante a existência dos meios multimidia disponíveis aos borbotões. Mais uma vez friso que não sou anti tecnologia, pelo contrário. Só acredito que há meios melhores e meios piores de se fazer utilização dela e é para isso que devemos atentar, no que diz respeito a nossos filhos.

Então, partindo desse princípio, tenho trabalhado para aproximar meu pequeno da literatura, buscando sempre boas referências. Tratei de adquirir os livros recomendados por Licia Arruda, e eles estão chegando lá em casa. Ontem recebemos Aderbal e o Dragão e O Menino do Dedo Verde. Já tínhamos recebido O Pequeno Fazendeiro, de Laura Ingalls.

Apresentei os livros a ele dizendo que aqueles eram DELE. Por que o destaque? Porque há vários livros no criado mudo e ele sabe que são meus. Deixo pegar, mexer, abrir, mas não deixo bagunçar MEUS livros. Por mais que também não vá liberar a bagunça nos livros dele achei por bem frisar a propriedade destes; penso que ele se sentiu importante tendo seus próprios livros, assim como a mamãe.

Daí começamos a leitura de Aderbal e O Dragão. A julgar pela experiência anterior com O Pequeno Fazendeiro achei que leria pra ele uma ou duas páginas,  no máximo. Acabamos lendo quase dois capítulos! O segundo ficou por uns parágrafos pra concluir.

Continua

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Colocando em prática a leitura para os pequenos!

Quando começamos a ler O Pequeno Fazendeiro, Dan pareceu estranhar um pouco a atividade, como se não entendesse bem porque estávamos fazendo aquilo ou como ele deveria se comportar. Ou isso, ou a história não havia agradado. Depois começou a se interessar um pouco e dar risada de Almanzo tentando amansar os bezerros, mas não fomos muito além disso. Para minha surpresa,  na hora de dormir, em vez de pedir a história do dragão Verdinho (nossa criação conjunta) ele pediu a história do fazendeiro Almanzo e dos bezerros que ele ia amansar! Rsrs! Achei muito hilário o jeito como ele falou. E assim eu percebi que ele estava prestando atenção na história e que ela tinha significado algo pra ele, embora desde esse dia eu não tenha conseguido ler O Pequeno Fazendeiro pra ele de novo.

Então, quando os outros livros chegaram, resolvi dar um tempo no Almanzo de Laura Ingalls e partir para uma nova história.  Aderbal e o Dragão fizeram sucesso, como eu esperava. Mas foi além! Ele interagiu muito com a narrativa, colocando sua própria imaginação no enredo e associando alguns trechos a outras histórias que tinha assistido (sobre isso falamos depois). Achei fantástico e, se não tivesse escutado um pouco antes o Chico dos Bonecos falando sobre a forma como as crianças pequenas se concentram para ouvir histórias, teria ficado desapontada com o comportamento dele após alguns minutos.  Ele pulava e jogava os travesseiros pra lá e pra cá (estávamos na minha cama), mas não queria que eu parasse a leitura. Assim, de posse desse entendimento, prossegui até quase o fim do segundo capítulo, quando eu mesma comecei a duvidar da produtividade da atividade dali em diante.

Isso nos levou a outra brincadeira, ainda na minha cama, quando eu peguei os livros dele e comecei a escrever neles seu nome completo, indicando a propriedade. Mostrei a ele o livro de Almanzo com seu nome já escrito e frisei que aquele era seu primeiro livro de literatura. O que me fez lembrar do meu querido Memórias de um Cabo de Vassoura! Então saímos depressa para a sala a fim de encontrá-lo no armário dos livros. E lá estava! Sabia que não tinha me desfeito dele! Mostrei a Daniel e disse que aquele havia sido o primeiro livro da mamãe e que agora seria dele também. E escrevi o nome dele abaixo de onde estava escrito o meu. Não sei bem quanto disso tudo é absorvido pela criança mas não tenho dúvidas que algo de positivo é, sim, absorvido.

Dessa atividade de nomear os livros passamos a escrita. Ele quis um lápis pra desenhar também. Entreguei o meu a ele e busquei outro pra mim, e continuei colocando o nome dele nos livros (encontrei mais alguns no armário, da série O Leão,  a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de C.S.Lewis). Dei a ele os livrinhos para alfabetizar que compramos numa feira literária há pouco tempo e ficamos gostosamente na cama fazendo cada um os seus rabiscos. Para mim foi um momento emocionante! Rs! E pra ele, se nenhum outro benefício tiver, será, no mínimo, mais uma boa memória para reviver.

Bjos a todas!

Boas leituras!

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Primeiro lugar: trabalho ou filhos?

Interessantíssima a narrativa desse jovem e nos dá muito em que pensar. Muitas considerações a fazer, sem dúvida. Há muitas famílias (talvez a maioria em nosso país) onde essa decisão de abandonar o trabalho não é possível para a mãe. O que não invalida a absoluta realidade de que nossa presença em casa tem valor inestimável e inesquecível para os filhos. O fato é que estamos tão acostumados a correr atrás da própria cauda que deixamos de pensar. O que estamos fazendo com nossos dias? Para onde eles estão indo? Como estamos passando pela vida? O que é realmente importante? Do que não dá mesmo para abrir mão? Apesar da realidade antes mencionada, tenho certeza que se fizéssemos essas reflexões com sinceridade ficaríamos surpresos. E, certamente, teríamos outra sociedade. Mas não dá pra parar de trabalhar! A grana já não dá pra nada trabalhando…! Usemos de criatividade! É por uma causa nobre. Quem não gostaria de ouvir de um filho um relato semelhante? E isso é o mínimo. Existem incontáveis benefícios desse contato e desse tempo de qualidade passado em família, tempo junto planejado de forma intencional. Sejamos criativos! Perdemos o hábito de pensar. Não temos tempo pra isso! Mas vejo o quanto podemos estar perdendo da vida como ela deveria ser. Então vale a pena o esforço. Há meios. Não dá pra citar nada aqui porque cada família é singular. O apelo que junto ao depoimento desse jovem é: vamos parar de correr um pouco, respirar, olhar em volta e pensar. O que eu posso fazer hoje para passar mais 15 minutos por dia, que seja, junto do meu filho, com minha família? Vamos lá, coragem! Vai se surpreender!

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Menino sozinho.jpg

Por Gabriel Santos (14 anos)

Quando estudava na escola, eu e meus colegas conversávamos sobre o tempo que passávamos com as nossas famílias e a união que tínhamos com elas. Uns falavam que preferiam ficar a sós, assistindo TV ou jogando videogame. Outros falavam que os pais sempre ficavam fora trabalhando. E alguns falavam que os pais passavam o dia inteiro na frente do computador ou do celular, marcando compromissos, estudando, conversando ou resolvendo contas. Mas quando falei que eu e minha família tentávamos ficar ao máximo juntos e que tentávamos ter as refeições juntos todos os dias, eles ficaram espantados: “O quê?! Seus pais tem tempo para você?”

Nos dias de hoje, o trabalho tem sido o principal objetivo na vida das pessoas. Eles chegam a tomar o lugar do tempo da comunhão da família. A sociedade tem falado que é obrigatório fazer o mestrado e o doutorado e…

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Vamos ler para os pequenos?

Por Lícia Arruda Vivemos tempos em que a leitura não faz parte do dia-a-dia de muitas famílias. Tenho a impressão de que estão todos cansados demais, enfadados demais, impacientes demais e “virtualizados” demais para separar tempo para ler para os filhos. A televisão e, sobretudo, a internet, com suas enlouquecedoras redes sociais, estão minando o…

via Bons Livros Fazem a Diferença! — Educação Domiciliar

De Gênesis a Apocalipse, Educação Domiciliar, Geral

“Screen time” – tempo de tela

Fantástico! Estou reblogando o post logo abaixo porque achei muito pertinente.

O filme Gente Grande, de Adam Sandler retrata um pouco dessa realidade das crianças filhas da modernidade, se podemos chamar assim.

Nada como o tempo em família. A esse respeito também recomendo o livro A Experiência da Mesa, de Devi Titus. Sempre lembro do relato da jovem, que desistiu de ir a uma balada com amigos, fugindo à noite pela janela do seu quarto, já que os pais não consentiram que ela fosse. Ela desistiu porque não queria estragar, com esse incidente, o clima familiar em sua casa e azedar o melhor de todos os momentos, na opinião dela, que era a hora do jantar, quando todos se reuniam à mesa e compartilhavam seu dia. Parece irreal? Sim, já chegamos bem longe disso. Mas ainda é possível. O post abaixo prova exatamente isso. Contudo, num lar dominado pelas telinhas, com certeza será bem mais difícil imaginar uma cena assim.

Estejamos atentos e façamos o que é preciso, ainda que isso implique em realizar alguns ajustes. Os resultados serão recompensadores.

Educação em Família

Alguns anos atrás li uma reportagem interessante sobre pessoas importantes em Silicon Valley, e como controlavam severamente o acesso dos seus filhos à tecnologia que os próprios pais desenvolviam e vendiam. Um destes pais era o Steve Jobs.

Muitos estudos comprovam que exposição a telas pode ser prejudicial para os nossos filhos. Em nossa casa impomos limites estritos no uso do computador e outras telas. As crianças têm uma hora por semana para jogar ou assistir vídeos no computador ou iPad. Ocasionalmente a família assista um filme ou algum vídeo juntos, mas isto talvez algumas vezes por mês. Além disto, usamos as telas apenas para pesquisa ou para a educação (por exemplo, IXL.com).

Notamos ao longo dos últimos 20 anos que na medida que as crianças têm mais acesso aos jogos e filmes, elas têm menos capacidade de achar seu próprio divertimento. Crianças viciadas em telas logo logo falam “Não…

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