Educação Domiciliar, Geral, Papos Diversos

Cozinhando com a mamãe

Criança na cozinha é proibido! A gente compra aqueles mini portões e restringe o acesso dos pequenos a um local da casa onde praticamente tudo é perigoso para eles.

Mas…sempre tem um mas, né… eles são tão curiosos sobre as coisas sérias que nós, os adultos, fazemos; se interessam mais pelo “mundo de verdade” do que pelos brinquedos que lhes damos, muitas vezes, até, réplicas das nossas traquitanas de adulto – ferramentas de plástico, panelas e talheres de brinquedo, vassouras infantis.

Não somos loucos ou irresponsáveis o suficiente para dar às crianças acesso irrestrito a tudo quanto seus olhinhos inquietos cobiçarem, porém, existe um meio termo onde podemos favorecer a aprendizagem espontânea das crianças por meio da curiosidade natural a elas. Então, como pensa John Holt, uma boa prova de amor seria não apenas proteger a criança de tudo quanto possa lhe oferecer o mínimo risco mas, também, apoiá-la em suas aventuras e descobertas mais ousadas, deixando-a livre para explorar, experimentar e conhecer por si mesma aquilo que lhe desperta interesse, enquanto nós, em segundo plano, garantimos sua segurança.

E, às vezes, as restrições que impomos às crianças nem tratam exatamente de segurança. São questões de limpeza, trabalho, comodidade ou, simplesmente, a negativa por ela mesma. Já estamos tão acostumados a dizer não aos pequenos que em algumas ocasiões o fazemos sem pensar.

Todo este introdutório foi para falar de um momento muito legal que desfrutamos aqui em casa. Há algum tempo venho colocando Daniel a par das atividades da cozinha. Em nossa casa não temos o portão, o que torna nossa vigilância sobre ele (e sobre nós mesmos) dez vezes mais acirrada. Mas é um trabalho ao qual nos propomos. Já por duas ou três vezes o convidei para fazer um bolo comigo. E a cada vez vou dando a ele novas permissões, conforme ele vai conquistando minha confiança. A princípio eu apenas permitia que ele se distraisse com a tigela, mexendo no conteúdo dela com a colher. Depois passei a entregar a ele algum ingrediente, já medido, pra que ele mesmo o acrescentasse. Ultimamente, ele tem andado muito interessado em ovos e tem sido uma luta aqui em casa para utilizar os tais ovos porque ele sempre pede pra segurar e nós, obviamente, não deixamos. Porque ele não sabe a diferença entre ovos cozidos – nos quais ele pode pegar – e crus.

Bem… ele não sabia. Na última vez em que fiz um cuscuz para o café, resolvi que era hora de deixar ele descobrir por si só. Entreguei o ovo e expliquei porque não ele deveria deixar cair no chão. Ele ficou em êxtase! E tomou, sim, muito cuidado com o ovo. Mas, sempre tem um mas, o ovo acabou caindo e quebrando aos pés dele. A reação foi de espanto e medo de que eu reclamasse com ele, o que obviamente não fiz. Pegamos outro ovo e fomos para a mesa, nossa bancada de experimentos. Coloquei uma xícara sobre um prato e entreguei o ovo a ele, pedindo que quebrasse dentro da xícara. Sem hesitar, ele catou uma colher em cima da mesa e pôs-se a martelar o ovo, até que rachou. Ficou super empolgado com o feito e pediu outro. Quebramos outro ovo. Em seguida, apenas, coloquei os ovos na frigideira e comecei a preparar no fogão – ovos mexidos pra comer com o cuscuz – mostrando a ele todo o processo. Coloquei a cadeira – onde ele estava em pé quebrando os ovos – dentro da cozinha, a uma distância segura do fogão, e mostrei o processo dos ovos que ele havia quebrado se transformando em ovos mexidos. Depois comemos e ele sabia que havia ajudado a preparar aquela refeição.

De outra vez preparei um Danone de inhame de banana junto com ele e, dessa vez, aproveitei de verdade a ajuda. Deixei que ele descascasse, cortasse e amassasse as três bananas que utilizamos enquanto eu fazia outra coisa (bem, tirar fotos também fazia parte da receita rs). Dei a ele uma faca plástica, por segurança, mas o garfo foi de metal mesmo. O resultado do Danone foi ótimo e o da satisfação dele por ter feito parte de algo que eu estava fazendo, melhor ainda. Ele não se machucou, se sentiu integrado às atividades da casa e, é claro, que eu levei muito mais tempo que o normal para preparar cada coisa mas, também, me diverti e aprendi muito mais do que se tivesse apenas preparado uma receita.

Já estou bolando o próximo prato para prepararmos juntos. ❤

De Gênesis a Apocalipse

Como falar sobre Jesus para seu filho

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele.”

Provérbios 22.6

Este deve ser um dos versículos mais citados da Bíblia.

Mas…

Como? Quando? Onde? Com que idade? Em que momentos? São perguntas óbvias mas que só nos fazemos na hora de colocar o versículo em prática. Como compartilhar sua fé com uma criança pequena? Por onde devo começar? Espero até que ele saiba falar?

Cada uma vai encontrar seu próprio caminho, de acordo com as particularidades de sua família e de sua personalidade mesmo. Sua e da criança. Mas, para quem está completamente perdida no tiroteio, um norte vai bem.

1 – Ore. Mais uma vez o óbvio mas, sei perfeitamente que em nosso afã de supermães queremos ir logo botando a mão na massa e fazendo mil coisas. Por isso, recomendo, por experiência própria, que você pare agora mesmo esta leitura e ore. Inclusive, pode ser que depois da oração você nem volte mais a ler o restante do texto. Talvez ele não seja para você e isso Deus vai lhe dizer em oração.

2 – Se você orou e voltou, a próxima dica está no Velho Testamento, livro de Deuteronômio, capítulo 6, versos de 1 a 7, especialmente o 7.  E diz respeito ao quando e ao onde. Diz assim:

E as ensinarás [estas palavras que hoje te ordeno] a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.

Fale de Jesus em todo momento comum do dia de vocês. Não precisa pausar uma atividade, pôr a criança sentada e dizer: Agora vamos falar de Jesus  (veja, pode ser que para você e seu filho isso funcione, não há problemas nisso também). Se você não tem esse estilo de fazer as coisas ou se seu filho não tem essa forma de aprendizagem, nada impede você de optar por algo descontraído. Nós, cristãos, às vezes, somos tentados a imaginar Deus como um senhor muito idoso e muito sisudo, sentado numa nuvem muito alta lá no céu e olhando pra nós de cenho franzido o tempo inteiro, vigiando, para ver se estamos fazendo todas as coisas da forma correta, e pronto a nos dar uma reprimenda. Então, ficamos um pouco obcecados com formas, métodos, padrões, tudo buscando perfeição para agradar como que a um patrão muitíssimo exigente. Não vejo Deus assim. Gosto de me imaginar sentada em Seu colo desde a hora em que acordo e ponho os pés no chão. Daí, então,  posso começar o meu dia me sentindo segura.

3 – A dica 3 decompõe um pouco da dica 2 na prática, e pode servir como sugestões para você. Certa vez, saí com meu pequeno pela rua onde moramos. Fomos dar um passeio e levei ele andando pela calçada, de mãos dadas, para que ele pudesse observar algumas coisas mais de perto. Passamos por alguns jardins e, a cada elemento da natureza novo para ele, eu lhe dizia: Olha, filho, esta flor! Não é linda? Sabe quem fez ela? Foi Jesus. Ressalto que a esta época eu já havia falado algumas vezes em casa sobre Jesus, dizendo a meu filho que Ele era nosso amigo e que nos protegia sempre. Vale ressaltar, ainda, que neste dia específico Dan ainda não falava muito. Tinha, então, por volta de dois anos. Para minha grata surpresa, várias semanas depois saímos novamente, andando pela mesma calçada e ele, já com maior domínio da linguagem, me disse: Mãe! A for! Vuvuis fei! Você entendeu, né? Agora imagina a minha cara de mãe babona 😊

Este foi um exemplo de um diálogo muito simples e espontâneo que produziu frutos. Vamos a outro?

4 – Por mais que nos cerquemos de cuidados quanto ao que nossos guris assistem (e é necessário fazê-lo!), vez por outra, aparece um monstro ou coisa parecida. E eles, normalmente, se assustam um pouco. Não demora para aquilo começar a fazer parte do imaginário infantil, provocando medo. Comecei, então, a convencer meu filho de que não existem monstros em nossa casa e de que Jesus é maior e mais forte do que todos os monstros. E que, se algum deles aparecesse, Jesus o colocaria para correr. Isso já é repertório há um tempo e tem sido usado em várias situações quando ele menciona monstros. Mas, no último fim de semana, aconteceu algo um pouco diferente. Estávamos num parquinho e apareceram dois bonecos – pessoas vestidas – fazendo propaganda de uma escola. As crianças no lugar tiveram reações diferentes. Dan, assim como alguns dos outros meninos, maiores até, teve medo. Eu já sabia porque já havíamos passado por isso quando ele era bem menor. E na ocasião ele tinha chorado bastante. Dessa vez foi diferente! Apesar de temeroso, ele se aproximou, tocou e conversou com eles. Mas até aí tudo bem. O que me chamou mesmo a atenção foi o fato de ele ter me dito que “não teve medo porque Jesus é maior e mais forte e bota os monstros todos para correr.” Maravilhoso isso, não!? Sozinho, ele aplicou o conhecimento na prática em uma situação real de temor. Mais uma vez, ensinamento devidamente infundido.

5 – Outra situação bem legal para buscar imprimir o caráter de Cristo em nossos pequenos são as disputas com coleguinhas. Quando outra criança se comporta de forma hostil – seja tomando brinquedos ou se negando a compartilhá-los ou qualquer outra dessas coisas anti-sociais que as crianças fazem até que aprendam a forma correta de se relacionar com o próximo – uma boa opção é consolar seu filho dizendo que aquela criança ainda não aprendeu as coisas que ele já sabe e que devemos perdoá-la por seu mau comportamento,  assim como Jesus nos perdoa quando nos comportamos mal também. Isso pode ser aplicado na própria relação entre pais e filhos, naquelas ocasiões em que a criança apronta e nos aborrecemos. Podemos, não obstante aplicar a disciplina devida a cada caso, estender perdão ao nosso filho e dizer isso a ele. É importante ensiná-lo a pedir perdão, também. E sempre lembrando que esta é uma atitude que deixa Jesus feliz.

6 – Abençoe seu filho em voz alta. Não o faça apenas em suas orações silenciosas por ele. Aqui em casa, abençoamos na hora de dormir e quando saímos pra trabalhar, deixando ele aos cuidados da vovó. Quando coloco ele para dormir, com a bênção e um beijo de boa noite, acrescento, ainda, votos de amor: mamãe e papai te amam, seus avós te amam e Jesus te ama! Ele se derrete!

7 – Faça orações em voz alta, por ele e por outras coisas, de modo que ele vivencie seu relacionamento com Deus. Também costumo orar por ele à noite, enquanto estou colocando para adormecer. Oro por coisas que aconteceram com ele no dia, por nossos eventuais planos para o dia seguinte, oro as mesmas orações que costumo fazer por ele quando oro sozinha, em silêncio. Assim, ele sabe que intercedo por ele e que busco ajuda de Deus em minhas próprias necessidades.

8 – Uso palavras de fé durante as minhas mais variadas conversas. O que seriam essas palavras? “Se Deus permitir”, “Graças a Deus”, “Deus é bom”, sempre faço menção a Deus, pois, isso naturalmente faz parte da minha vida. E isso é outro ponto importante sobre o compartilhar da nossa fé. Ele precisa ser real. Não podemos simular uma vida de relacionamento com Deus para convencer a criança. Da mesma maneira, se esse relacionamento, de fato, existe, não são  necessárias estratégias para demonstrá-lo. Basta viver.

9 – Por fim, algo muito prático e muito cotidiano, também, é dar graças na hora das refeições. Novamente, é a simples vivência da comunhão com Deus, da dependência dele nas mínimas coisas e da nossa gratidão por Seu cuidado.

O resumo de tudo é que a nossa fé pode ser transmitida aos nossos filhos por meio das coisas comuns do dia a dia, sem maiores formalidades. De jeito simples, como as crianças são.

Todas prontas? Mãos à obra!

Bjos e até a próxima!

De Gênesis a Apocalipse, Educação Domiciliar, Papos Diversos, Parada Literária

Próximo, junto, presente!

Novamente falando sobre o quão relevante é para os filhos a presença dos pais.

Presença de qualidade, prazerosa, intencional. Em meio ao caos do seu dia atarefado, você busca ocasião para estar junto; cria oportunidade; se esforça; sacrifica alguma outra coisa, mas não sua família. Sua família está em primeiro lugar e eles sabem disso. Falo aqui a homens e mulheres – pais e mães. O crescimento profissional é importante, o sustento material da família é necessário, porém, equilíbrio em tudo o que fazemos é o pulo do gato! Tudo de mais é sobra. Se você trabalha tanto, para dar “o melhor” à sua família, que não tem tempo para ficar com sua família, do que adianta? Principalmente no que diz respeito às crianças. Elas não se importam com a maioria das coisas materiais que nós, adultos, julgamos serem tão necessárias para elas. Com certeza, se pudessem, algumas delas diriam: “Tudo bem, prefiro continuar com a velha TV da sala e ter você (pai ou mãe) duas horas mais cedo em casa todos os dias.” Quando ainda são menores tenho certeza que isso se aplica na maioria (senão em todos) dos casos. Quando já têm um pouco mais de idade,  a partir dos 5 ou 6 anos, creio eu, isso depende de como ela passou a primeira infância: bastante tempo com os pais ou com as coisas dadas pelos pais? Se for a última opção, provavelmente teremos nas mãos um adolescente exigente, frio e distante para termos de lidar. Não estou dizendo que coisas não devem ser dadas, ou adquiridas. Digo que se o custo para se obter tais coisas for passar mais tempo longe da família, trabalhando mais, para poder pagar por elas, não vale a pena.

Veja este trecho do magnífico livro Educando Meninos, de James Dobson, que fala mais a respeito:

Quando a hostilidade e a rebelião começam a aparecer, como você impede seus filhos (e filhas) de explodirem e fazerem algo idiota? Já tratei desse assunto em outros livros, mas quero oferecer uma descoberta que não havia compartilhado antes. Um Estudo de Saúde pesquisou 11.572 adolescentes para determinar quais os fatores mais úteis para a prevenção do comportamento negativo, tal como violência, suicídio, uso de drogas, comportamento sexual precoce e gravidez na adolescência.
Estes foram os resultados da pesquisa: A presença dos pais é muito positiva em quatro momentos críticos do dia — de manhã, depois da escola, na hora do jantar e na hora de dormir. Quando esse contato regular é combinado com outras atividades compartilhadas entre pais e filhos, um resultado altamente positivo é obtido. Os pesquisadores observaram também que os adolescentes que tinham um sentimento de ligação com os pais (sentimentos de calor, amor e cuidado) tinham menos probabilidade de se envolverem em comportamentos prejudiciais.

Alguns de meus leitores talvez perguntem: “Como posso estar com meu adolescente de manhã, à tarde e à noite? Tenho muito trabalho a fazer”. Na verdade, você tem simplesmente de decidir o que é mais importante para você a esta altura. Não vai ser tão importante daqui a alguns anos, mas sua disponibilidade agora pode fazer a diferença para seu filho entre sobreviver ou pular do penhasco.
Meus pais tiveram de enfrentar essa escolha difícil quando eu tinha 16 anos. Meu pai era um evangelista que viajava a maior parte do tempo, enquanto minha mãe ficava em casa comigo. Durante a adolescência, comecei a ficar implicante com minha mãe. Nunca cheguei à rebelião total, mas estava definitivamente namorando a possibilidade. Nunca esquecerei a noite em que minha mãe telefonou para meu pai. Eu estava escutando quando ela disse: “Preciso de você”. Para minha surpresa, meu pai cancelou imediatamente uma lista de quatro anos de reuniões, vendeu nossa casa e mudamos para o sul. Assumiu ali um pastorado para poder ficar comigo até que terminasse a escola secundária. Aquele foi um enorme sacrifício para ele, do qual nunca se recuperou profissionalmente. Mas ele e minha mãe sentiram que meu bem-estar era mais importante do que as suas responsabilidades imediatas. Meu pai ficou em casa comigo durante aqueles anos difíceis quando eu poderia ter entrado em sérias dificuldades. Quando falo com reverência de meus pais hoje, como costumo fazer, uma das razões é por terem dado prioridade a mim quando eu estava escorregando para perto da beirada. Você faria o mesmo pelo seu adolescente? Você talvez não seja chamado para fazer uma mudança assim radical em seu estilo de vida. A solução é, às vezes, muito mais simples, segundo um estudo conduzido pelo dr. Blake Bowden, do Hospital Infantil de Cincinnati. Ele e seus colegas pesquisaram 527 adolescentes para saber que características de família e de estilo de vida estavam relacionadas com a saúde e o ajuste mental. O que eles, mais uma vez, observaram foi que os adolescentes cujos pais jantavam com eles cinco vezes por semana ou mais tinham menos probabilidade de usarem drogas, ficarem deprimidos ou terem problemas com a lei. Tinham também mais probabilidade de
se saírem bem na escola e de serem cercados por um círculo de amigos que serviam de apoio. O benefício foi visto até para as famílias que não comiam juntas em casa. Os que se reuniam em restaurantes fast-food tiveram os mesmos resultados. Em contraste, os adolescentes mais desajustados tinham pais que só comiam com eles três noites ou menos por semana.”

Caros amigos, quero deixar claro que em nenhum momento ignoro o fato de que o Dr. Dobson fala a partir da perspectiva da sociedade norte americana, à qual também se referem as pesquisas que lhe servem de apoio. Porém, o que acho importante destacar – e por isso considero que esta leitura vale a pena, também, para nós – é a realidade de que precisamos ser pais presentes, e isso é verdadeiro em qualquer sociedade. Este é um aspecto. O outro, é que talvez tenhamos de fazer o esforço de encontrar soluções que sejam mais adequadas à nossa realidade, mas precisamos fazê-lo. O alerta que fazem ecoar estes e outros estudos é que nossas crianças e nossos jovens tendem a enfrentar grandes problemas para os quais,  nós,  pais, somos a melhor solução, ou, até mesmo, a prevenção. E a única coisa que temos que fazer é estar presente!

Fica o convite para nossa reflexão.

Até a próxima!

 

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1 – DOBSON, James C. Educando meninos [livro eletrônico] / James Dobson; traduzido por Neyd Siqueira. — São Paulo:Mundo Cristão, 2013, pág 84 e 85.

De Gênesis a Apocalipse

Algumas respostas para as nossas crises

“Seus filhos precisam de Jesus. É verdade que eles também precisam de uma soneca e de um sermão à moda antiga sobre a importância de ter modos, mas, acima de tudo,  eles precisam de Jesus. E, por mais chiliques que seu filho tenha ou seja lá quantos brinquedos ele se recusa a dividir, a disciplina das crianças pequenas se resume a uma só coisa: elas precisam de Jesus.

Como mãe, tenho a tenho a tendência de cair na armadilha de acreditar que meus filhos precisam de mim. Eles precisam de uma mãe que tenha um fluxograma de estratégias de disciplina na porta da geladeira e saiba exatamente quando argumentar de forma lógica e com amor e quando os colocar de castigo. Uma mãe que consegue conseguir a calma em meio ao maior chilique desses terríveis dois anos. Uma mãe que esteja disposta a se certificar que seus filhos se comportem bem. E, apesar de tudo isso ser importante, graças a Deus, o Senhor está nos bastidores, trabalhando para conquistar o coração, a mente e a alma de meus filhos. Sou, quando fico por conta apenas de minhas próprias forças, um total fracasso no que diz respeito à disciplina.

(…)

Agora que resumi a disciplina das crianças pequenas a apenas a verdade de que seu filho precisa de Jesus, preciso lhe dizer que isso não significa que você deve ignorar totalmente a disciplina. Embora seu filho precise de Jesus, ele também precisa de pais que o levem até Jesus. E parte desse caminho envolve salpicar cada conversa, cada momento de ternura e todo chilique mortífero e manha interminável com a oportunidade de mostrar a seu filho o amor perfeito, santo e salvador de Jesus.” 1

Olá meninas!

O texto acima não é meu. Fiz questão de iniciar o post com ele para tentar causar o mesmo impacto que senti quando o li. É assim que a amiga Eric MacPherson inicia o capítulo 2 de seu livro. E, hoje pela manhã, enquanto relia este trecho,  me lembrei de alguns episódios do nosso fim de semana em família. Enquanto passei momentos dramáticos me cobrindo de culpas pelo mau comportamento de meu filho (e pelo meu também), talvez estivesse com foco no lugar errado. Hoje cedo, ao me deparar com esta pérola de Erin, meu coração, ao mesmo tempo em que sentiu o peso da responsabilidade, encontrou grande refrigério e se tranquilizou. Simplesmente por perceber (ou lembrar) que as coisas concernentes ao comportamento de filho não se encerram neste plano e nem se resumem à minha capacidade como mãe. Não transferindo a responsabilidade pela educação dele para Deus, entendo que o coração de meu filho precisa ser transformado, assim como o meu. Gostaria de ter todas as ferramentas em minhas mãos para conseguir a obediência dele mas, percebo (e não sou a única) que, por mais que me esforce, não vou muito longe sem a ajuda de Jesus. Meu filho precisa de Jesus tanto quanto eu e qualquer pessoa precisamos. Tendemos a achar que as crianças são perfeitamente puras e que, em algum momento da vida, algo acontece e elas perdem o prumo. Mas a corrupção do coração é inerente ao gênero humano, por mais jovem que seja. Por isso, todos nós precisamos de intervenção soberana; de alguém que tenha poder para tocar a alma e fazê-la retroceder do mau caminho. Então, compreendi agora, claramente, aquilo que Erin quis dizer. Na primeira vez em que li este livro incrível, meu filhinho ainda não estava no pico da famigerada fase, por isso não consegui assimilar a leitura totalmente; me faltava o conhecimento prático que ajuda a internalizar o conhecimento, em vez de apenas memorizá-lo. Posso dizer que estou tendo uma avalanche de aulas práticas no momento!

Nada disso significa, no entanto, que devemos abandonar nossos esforços para infundir noções de disciplina e respeito e ordem e obediência em nossas crianças ou, que, devemos, a partir de agora, sentar e orar até que a criança esteja educada. Não significa que devemos abrir mão do papel que Deus nos atribuiu de ensinar nossos filhos nas áreas da saúde e segurança, moralidade e habilidades para a vida. Essas são nossas responsabilidades. Porém, o que fica claro é que, também, apenas isto, sem a adição da parte que cabe a Cristo e que não somos capazes de realizar, a disciplina das crianças será incompleta, quando não infrutífera.

De posse deste entendimento, trabalhemos nesta área da vida dos nossos filhos, moldando o coraçãozinho, desde já, para que tenha temor santo e amor a Jesus. E orar para que Deus molde, também, o nosso coração, a fim de que, no próximo ataque de birra, manha e malcriação, possamos ver as coisas desta perspectiva e não da nossa.

Erin ainda tem muito a nos ensinar neste mesmo capítulo do Guia Definitivo volume 3.

Aguardem!

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1 – MACPHERSON, Erin. Guia Definitivo da Mãe Cristã 3: Tudo o que você precisa saber sobre a idade das descobertas / Erin MacPherson; tradução Markus Hediger. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2014, pg 25-27.

Educação Domiciliar, Papos Diversos

Surpresas na experiência com leitura

Olá,  meninas!

Vim contar a vocês algo interessante que aconteceu na nossa experiência de ler em casa.

Lembro de ter ouvido o Chico dos Bonecos falar que o fato de as crianças estarem se mexendo durante a contação da história não significa que não estão prestando atenção. Acredito nele, que tem muita autoridade para falar sobre isso. Só não imaginava como podia ser isso. Ah, nossa mente adulta, tão engessada em padrões …

Antes mesmo de ler o post das meninas sobre leitura, meu marido e eu tínhamos visitado uma feira literária muito boa e, lá, adquirimos alguns materiais pra Dan. Um tal livro com fotos de ursinhos, chamado Os Gêmeos Bagunceiros, foi o que fez mais sucesso com ele. Porém, ele se encantou unicamente pela parte final, porque dava muita risada na interpretação da cena que eu fazia pra ele. E não me deixava mais ler nada da história. Um texto simplezinho, nada de mais. Nada parecido com as dicas de Licia Arruda que rebloguei outro dia. O forte deste material eram as fotos dos bichinhos. Mesmo assim, ele não queria ouvir mais nada, só o final.

Passaram várias semanas já desde a última vez que lemos este.

Ontem à noite ele me surpreendeu na hora de ir pra cama. Pediu Beto (É Bob, nós dois trocamos o nome. Beto é o tio deles) na cama. Tenho lido na cama com ele, antes de dormir. Eu perguntei: Beto e Bela?” pra me certificar que era isso mesmo. Ele disse que sim e ainda me disse: “Eh, os gêmeos bagunceiros! Eles são teimosos!” Eu disse que não, que eles eram bonzinhos e obedeciam a mamãe deles. Aí ele disse: “Eles são aventureiros, igual Dora!” Nessa altura eu já comecei a perceber que ele lembrava mesmo de alguma coisa da historinha. Aí ele falou, creio que querendo explicar o por que de chamar eles de aventureiros e teimosos: “A mamãe deles disse pra ficar longe do rio. Eles sabem nadar não!” Fiquei pasma! Aí provoquei: “E eles gostam de brincar do que, filho?” Sem hesitar ele disse, com um sorriso enorme de satisfação no rosto: “De lutinha!” Foi demais! Ganhei a noite ontem. E eu achando que ele não estava gostando da história e nem prestando atenção rs!

E o melhor é que sei que se eu tiver exagerado na babaçāo da cria vocês vão me entender ;-D

Até a próxima aventura na leitura!