De Gênesis a Apocalipse

Como falar sobre Jesus para seu filho

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele.”

Provérbios 22.6

Este deve ser um dos versículos mais citados da Bíblia.

Mas…

Como? Quando? Onde? Com que idade? Em que momentos? São perguntas óbvias mas que só nos fazemos na hora de colocar o versículo em prática. Como compartilhar sua fé com uma criança pequena? Por onde devo começar? Espero até que ele saiba falar?

Cada uma vai encontrar seu próprio caminho, de acordo com as particularidades de sua família e de sua personalidade mesmo. Sua e da criança. Mas, para quem está completamente perdida no tiroteio, um norte vai bem.

1 – Ore. Mais uma vez o óbvio mas, sei perfeitamente que em nosso afã de supermães queremos ir logo botando a mão na massa e fazendo mil coisas. Por isso, recomendo, por experiência própria, que você pare agora mesmo esta leitura e ore. Inclusive, pode ser que depois da oração você nem volte mais a ler o restante do texto. Talvez ele não seja para você e isso Deus vai lhe dizer em oração.

2 – Se você orou e voltou, a próxima dica está no Velho Testamento, livro de Deuteronômio, capítulo 6, versos de 1 a 7, especialmente o 7.  E diz respeito ao quando e ao onde. Diz assim:

E as ensinarás [estas palavras que hoje te ordeno] a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.

Fale de Jesus em todo momento comum do dia de vocês. Não precisa pausar uma atividade, pôr a criança sentada e dizer: Agora vamos falar de Jesus  (veja, pode ser que para você e seu filho isso funcione, não há problemas nisso também). Se você não tem esse estilo de fazer as coisas ou se seu filho não tem essa forma de aprendizagem, nada impede você de optar por algo descontraído. Nós, cristãos, às vezes, somos tentados a imaginar Deus como um senhor muito idoso e muito sisudo, sentado numa nuvem muito alta lá no céu e olhando pra nós de cenho franzido o tempo inteiro, vigiando, para ver se estamos fazendo todas as coisas da forma correta, e pronto a nos dar uma reprimenda. Então, ficamos um pouco obcecados com formas, métodos, padrões, tudo buscando perfeição para agradar como que a um patrão muitíssimo exigente. Não vejo Deus assim. Gosto de me imaginar sentada em Seu colo desde a hora em que acordo e ponho os pés no chão. Daí, então,  posso começar o meu dia me sentindo segura.

3 – A dica 3 decompõe um pouco da dica 2 na prática, e pode servir como sugestões para você. Certa vez, saí com meu pequeno pela rua onde moramos. Fomos dar um passeio e levei ele andando pela calçada, de mãos dadas, para que ele pudesse observar algumas coisas mais de perto. Passamos por alguns jardins e, a cada elemento da natureza novo para ele, eu lhe dizia: Olha, filho, esta flor! Não é linda? Sabe quem fez ela? Foi Jesus. Ressalto que a esta época eu já havia falado algumas vezes em casa sobre Jesus, dizendo a meu filho que Ele era nosso amigo e que nos protegia sempre. Vale ressaltar, ainda, que neste dia específico Dan ainda não falava muito. Tinha, então, por volta de dois anos. Para minha grata surpresa, várias semanas depois saímos novamente, andando pela mesma calçada e ele, já com maior domínio da linguagem, me disse: Mãe! A for! Vuvuis fei! Você entendeu, né? Agora imagina a minha cara de mãe babona 😊

Este foi um exemplo de um diálogo muito simples e espontâneo que produziu frutos. Vamos a outro?

4 – Por mais que nos cerquemos de cuidados quanto ao que nossos guris assistem (e é necessário fazê-lo!), vez por outra, aparece um monstro ou coisa parecida. E eles, normalmente, se assustam um pouco. Não demora para aquilo começar a fazer parte do imaginário infantil, provocando medo. Comecei, então, a convencer meu filho de que não existem monstros em nossa casa e de que Jesus é maior e mais forte do que todos os monstros. E que, se algum deles aparecesse, Jesus o colocaria para correr. Isso já é repertório há um tempo e tem sido usado em várias situações quando ele menciona monstros. Mas, no último fim de semana, aconteceu algo um pouco diferente. Estávamos num parquinho e apareceram dois bonecos – pessoas vestidas – fazendo propaganda de uma escola. As crianças no lugar tiveram reações diferentes. Dan, assim como alguns dos outros meninos, maiores até, teve medo. Eu já sabia porque já havíamos passado por isso quando ele era bem menor. E na ocasião ele tinha chorado bastante. Dessa vez foi diferente! Apesar de temeroso, ele se aproximou, tocou e conversou com eles. Mas até aí tudo bem. O que me chamou mesmo a atenção foi o fato de ele ter me dito que “não teve medo porque Jesus é maior e mais forte e bota os monstros todos para correr.” Maravilhoso isso, não!? Sozinho, ele aplicou o conhecimento na prática em uma situação real de temor. Mais uma vez, ensinamento devidamente infundido.

5 – Outra situação bem legal para buscar imprimir o caráter de Cristo em nossos pequenos são as disputas com coleguinhas. Quando outra criança se comporta de forma hostil – seja tomando brinquedos ou se negando a compartilhá-los ou qualquer outra dessas coisas anti-sociais que as crianças fazem até que aprendam a forma correta de se relacionar com o próximo – uma boa opção é consolar seu filho dizendo que aquela criança ainda não aprendeu as coisas que ele já sabe e que devemos perdoá-la por seu mau comportamento,  assim como Jesus nos perdoa quando nos comportamos mal também. Isso pode ser aplicado na própria relação entre pais e filhos, naquelas ocasiões em que a criança apronta e nos aborrecemos. Podemos, não obstante aplicar a disciplina devida a cada caso, estender perdão ao nosso filho e dizer isso a ele. É importante ensiná-lo a pedir perdão, também. E sempre lembrando que esta é uma atitude que deixa Jesus feliz.

6 – Abençoe seu filho em voz alta. Não o faça apenas em suas orações silenciosas por ele. Aqui em casa, abençoamos na hora de dormir e quando saímos pra trabalhar, deixando ele aos cuidados da vovó. Quando coloco ele para dormir, com a bênção e um beijo de boa noite, acrescento, ainda, votos de amor: mamãe e papai te amam, seus avós te amam e Jesus te ama! Ele se derrete!

7 – Faça orações em voz alta, por ele e por outras coisas, de modo que ele vivencie seu relacionamento com Deus. Também costumo orar por ele à noite, enquanto estou colocando para adormecer. Oro por coisas que aconteceram com ele no dia, por nossos eventuais planos para o dia seguinte, oro as mesmas orações que costumo fazer por ele quando oro sozinha, em silêncio. Assim, ele sabe que intercedo por ele e que busco ajuda de Deus em minhas próprias necessidades.

8 – Uso palavras de fé durante as minhas mais variadas conversas. O que seriam essas palavras? “Se Deus permitir”, “Graças a Deus”, “Deus é bom”, sempre faço menção a Deus, pois, isso naturalmente faz parte da minha vida. E isso é outro ponto importante sobre o compartilhar da nossa fé. Ele precisa ser real. Não podemos simular uma vida de relacionamento com Deus para convencer a criança. Da mesma maneira, se esse relacionamento, de fato, existe, não são  necessárias estratégias para demonstrá-lo. Basta viver.

9 – Por fim, algo muito prático e muito cotidiano, também, é dar graças na hora das refeições. Novamente, é a simples vivência da comunhão com Deus, da dependência dele nas mínimas coisas e da nossa gratidão por Seu cuidado.

O resumo de tudo é que a nossa fé pode ser transmitida aos nossos filhos por meio das coisas comuns do dia a dia, sem maiores formalidades. De jeito simples, como as crianças são.

Todas prontas? Mãos à obra!

Bjos e até a próxima!

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De Gênesis a Apocalipse, Papos Diversos, Parada Literária

Filhos, amor, disciplina e Cristo

Uau!  Que mistura boa hein!

Tudo bem, meninas?

Hoje quem vai inspirar nossas reflexões é uma excelente autora e irmã em Cristo, Erin MacPherson. Erin é mãe de três crianças e decidiu começar a escrever sobre as experiências da maternidade quando descobriu que estava grávida pela primeira vez.

Incrível como a literatura nos transporta e aproxima mundos tão distintos  (ou nem tanto)! Quando estava relendo este livro de Erin, hoje, me senti tão íntima dela, tão igual, tão reconfortada como quem escuta a voz de uma amiga dizendo palavras de consolo num momento difícil. Devo dizer que amo esta irmã sem conhecê-la. Nada no modo como ela escreve faz com que você a veja no alto de um pedestal de sabedoria e superioridade, tão distante de você, mãe descabelada. Ao contrário. Ela revela o tempo inteiro que é tão descabelada e desesperada quanto qualquer uma de nós. Por isso mesmo, toda vez que leio Erin, me sinto com a cabeça no colo de uma amiga muito querida.

Por estes e outros motivos, ela se tornou uma das minhas leituras preferidas, entrando boa disputa com o professor John Holt, por quem tenho admiração confessa. Mas Erin ataca em outra frente. A maternidade amparada e guiada pelo cristianismo. Que Deus a abençoe e continue usando nessa missão de socorrer mães ao redor de todo o mundo, onde quer que seus livros cheguem.  Só eu sei quanta ajuda recebi, quanta força tirei da leitura dos dois livros* que tenho da série Guia Definitivo da Mãe Cristã (disponível em 4 volumes, sendo o primeiro dedicado à mãe ainda gestante). Recomendo fortemente a leitura dessa obra, podendo falar por experiência própria do quão útil ela é a nós mães, principalmente aquelas que entendem a Bíblia como um guia para a vida, inspirado diretamente pelo próprio Deus.

Lembro de sempre chorar bastante logo que comecei a ler o volume 2. A maneira como ela encontra o âmago da mãe leitora não seria possível senão a uma mãe escritora. Por isso, vou compartilhar com vocês algumas das pérolas de Erin inspirada pelo Espírito de Deus (creio sinceramente nisso) que ajudaram a moldar a mãe que sou hoje e a que tenho como um ideal chegar a ser algum dia. Prossigo para o alvo, como diz o apóstolo Paulo. Porém, que estes petiscos sirvam apenas para despertar o apetite de vocês, mamães. Que vocês leiam a obra completa e tenham suas próprias experiências,  façam sua própria interlocução com o texto. E, quem sabe, compartilhem com as amigas aqui no blog  😉

Com a palavra, Erin MacPherson:

“Pegue leve com você mesma

Sou perfeccionista, então tenho a tendência de pensar no comportamento de meus filhos como um reflexo direto de minhas atitudes. Então, quando meus filhos agem de forma lamentável, culpo a mim mesma por ser uma péssima mãe. Contudo, a regra da mamãe nº 1.345 recomenda algo distinto: você não é uma mãe fracassada porque seu filho sujou de iogurte aquela saia especial de sua sogra, ou não comeu nada além de salgadinho e bala nos últimos nove dias. E, tampouco, porque roubou o brinquedo de outra criança no parquinho.

Não estou sugerindo que você não deva lidar com essas questões – deve sim -, mas não deve ser rígida demais consigo mesma só porque têm dias em que seu filho não está aquela maravilha. A maternidade é dura, e nenhuma mãe na história do mundo todo foi perfeita – nenhuma mesmo. Com isso em mente, até mesmo em seus piores momentos como mãe, pegue leve com você mesma. Deus usou alguns dos momentos mais difíceis que tive como mãe – momentos em que não tinha certeza se conseguiria chegar viva ao final do dia, e muito menos ao fim de 18 anos – para me ensinar a depender dele. E, para que Deus use essas tribulações para me ajudar a aprender e crescer, tenho de abrir mão delas e entregá-las a ele. Só ele pode endireitar nosso caminho – e o de nossos filhos.” ¹

Espero que tenham gostado de minha amiga íntima. Semana que vem tem mais dicas preciosas de Erin para nós.

Bjos!

* Só não tenho os quatro porque, infelizmente, quando descobri Erin já não estava mais na fase da gestação. E o quarto livro, que fala da próxima fase da vida de meu pequeno, já está na lista de aquisições para o próximo ano. 😉

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1 – MACPHERSON, Erin. Guia Definitivo da Mãe Cristã 3: Tudo o que você precisa saber sobre a idade das descobertas / Erin MacPherson; tradução Markus Hediger. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2014, pg 17 e 18.