Educação Domiciliar, Geral, Papos Diversos

Cozinhando com a mamãe

Criança na cozinha é proibido! A gente compra aqueles mini portões e restringe o acesso dos pequenos a um local da casa onde praticamente tudo é perigoso para eles.

Mas…sempre tem um mas, né… eles são tão curiosos sobre as coisas sérias que nós, os adultos, fazemos; se interessam mais pelo “mundo de verdade” do que pelos brinquedos que lhes damos, muitas vezes, até, réplicas das nossas traquitanas de adulto – ferramentas de plástico, panelas e talheres de brinquedo, vassouras infantis.

Não somos loucos ou irresponsáveis o suficiente para dar às crianças acesso irrestrito a tudo quanto seus olhinhos inquietos cobiçarem, porém, existe um meio termo onde podemos favorecer a aprendizagem espontânea das crianças por meio da curiosidade natural a elas. Então, como pensa John Holt, uma boa prova de amor seria não apenas proteger a criança de tudo quanto possa lhe oferecer o mínimo risco mas, também, apoiá-la em suas aventuras e descobertas mais ousadas, deixando-a livre para explorar, experimentar e conhecer por si mesma aquilo que lhe desperta interesse, enquanto nós, em segundo plano, garantimos sua segurança.

E, às vezes, as restrições que impomos às crianças nem tratam exatamente de segurança. São questões de limpeza, trabalho, comodidade ou, simplesmente, a negativa por ela mesma. Já estamos tão acostumados a dizer não aos pequenos que em algumas ocasiões o fazemos sem pensar.

Todo este introdutório foi para falar de um momento muito legal que desfrutamos aqui em casa. Há algum tempo venho colocando Daniel a par das atividades da cozinha. Em nossa casa não temos o portão, o que torna nossa vigilância sobre ele (e sobre nós mesmos) dez vezes mais acirrada. Mas é um trabalho ao qual nos propomos. Já por duas ou três vezes o convidei para fazer um bolo comigo. E a cada vez vou dando a ele novas permissões, conforme ele vai conquistando minha confiança. A princípio eu apenas permitia que ele se distraisse com a tigela, mexendo no conteúdo dela com a colher. Depois passei a entregar a ele algum ingrediente, já medido, pra que ele mesmo o acrescentasse. Ultimamente, ele tem andado muito interessado em ovos e tem sido uma luta aqui em casa para utilizar os tais ovos porque ele sempre pede pra segurar e nós, obviamente, não deixamos. Porque ele não sabe a diferença entre ovos cozidos – nos quais ele pode pegar – e crus.

Bem… ele não sabia. Na última vez em que fiz um cuscuz para o café, resolvi que era hora de deixar ele descobrir por si só. Entreguei o ovo e expliquei porque não ele deveria deixar cair no chão. Ele ficou em êxtase! E tomou, sim, muito cuidado com o ovo. Mas, sempre tem um mas, o ovo acabou caindo e quebrando aos pés dele. A reação foi de espanto e medo de que eu reclamasse com ele, o que obviamente não fiz. Pegamos outro ovo e fomos para a mesa, nossa bancada de experimentos. Coloquei uma xícara sobre um prato e entreguei o ovo a ele, pedindo que quebrasse dentro da xícara. Sem hesitar, ele catou uma colher em cima da mesa e pôs-se a martelar o ovo, até que rachou. Ficou super empolgado com o feito e pediu outro. Quebramos outro ovo. Em seguida, apenas, coloquei os ovos na frigideira e comecei a preparar no fogão – ovos mexidos pra comer com o cuscuz – mostrando a ele todo o processo. Coloquei a cadeira – onde ele estava em pé quebrando os ovos – dentro da cozinha, a uma distância segura do fogão, e mostrei o processo dos ovos que ele havia quebrado se transformando em ovos mexidos. Depois comemos e ele sabia que havia ajudado a preparar aquela refeição.

De outra vez preparei um Danone de inhame de banana junto com ele e, dessa vez, aproveitei de verdade a ajuda. Deixei que ele descascasse, cortasse e amassasse as três bananas que utilizamos enquanto eu fazia outra coisa (bem, tirar fotos também fazia parte da receita rs). Dei a ele uma faca plástica, por segurança, mas o garfo foi de metal mesmo. O resultado do Danone foi ótimo e o da satisfação dele por ter feito parte de algo que eu estava fazendo, melhor ainda. Ele não se machucou, se sentiu integrado às atividades da casa e, é claro, que eu levei muito mais tempo que o normal para preparar cada coisa mas, também, me diverti e aprendi muito mais do que se tivesse apenas preparado uma receita.

Já estou bolando o próximo prato para prepararmos juntos. ❤

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Uma janela para o mundo

Meu pequeno Dan está hoje com 2 anos e 10 meses.

Ele reconhece vários tipos de veículos: carro, ônibus, moto, bicicleta, metrô, avião, helicóptero; alguns tipos de modelos: kombi, van, jipe; e as funções de alguns deles – trator, caminhão baú, caminhão cegonha, caminhão reboque, caminhão de lixo, caminhão pipa, caminhão caçamba, carro de polícia, ambulância, ônibus do exército… e eu provavelmente estou esquecendo algum 😀

Sabe o nome do condomínio onde mora e o nome dos dois condomínios vizinhos. Sabe o nome de uma grande avenida que leva ao centro de nossa cidade. Acha lindo o pôr do sol. Fica um pouco triste, às vezes, porque “o sol já vai dormir”, mas acha “uma coisa linda!”

Gosta de olhar o pedacinho de mar e os navios por entre os prédios – “os altos, os bem altos, os de longe, os de mais longe ainda.”

Ele vê essas coisas da janela de nossa casa, no colo da avó, e tudo isso é fruto das conversas que tem com ela enquanto, da janela, eles observam o que se passa em volta. Claro que também vê muitas coisas de perto, quando saímos juntos. Amanhã, por exemplo, vamos aos Correios postar um livro e ao ateliê de costura buscar as roupas que deixamos para reparo na semana passada.   [Atualizando: já fomos e agora ele conhece mais um carro e sua função – o carro dos Correios]. Sim, ele vai comigo resolver “coisas importantes”, sempre que possível. E, no caminho, vemos e falamos sobre muitas coisas.

Mas na janela de nossa casa ele tem uma visão bem ampla e um diálogo muito especial com a vovó, que tem todo o tempo, dedicação e disposição para ensinar a ele sobre tudo o que ele se interesse ao ver. Ali da janela, nos braços da vovó, ele viu uma nova pista ser criada transversal à principal. Todos os dias ele observava um trator trabalhando. Depois apareceu outro, menor. Agora eram dois tratores. Na hora do almoço, “o trator ficava parado, porque o rapaz que trabalhava no trator tinha ido pra casa almoçar e descansar”. Outro dia ele descobriu uma pista nova, que sobe para as garagens de um condomínio numa pequena colina do outro lado da rua. Ele vê os soldados do batalhão próximo fazendo o treino matinal de corrida em volta da praça, “malhando e, também, cantando”. Vê os carros pararem quando o semáforo fecha e seguirem quando ele abre. Vê os cachorrinhos indo passear e os portões dos condominios abrindo para os carros entrarem. Viu as luzes do presépio (montado na praça por ocasião do Natal) se acenderem todos os dias. E, sempre que ele notava que “o sol estava indo dormir”, corria pra janela pra “ver se as luzes já estavam acesas”. E, imediatamente após, corria para a janela do meu quarto, todo frenético, para “ver se as luzes do Bosque já estavam acesas também” (as decorações de Natal do condomínio ao lado).

Vale ressaltar que boa parte do que descrevo acima chega até mim contada por ele mesmo, quando chego do trabalho (É, sou uma mãe que trabalha fora mas, voltaremos a falar sobre isso outra hora).

Dan tem o grande privilégio de ter uma vovó que mora com ele e todos os dias lhe ensina coisas novas. Apresenta a ele o mundo ao vivo e a cores até onde a visão da janela alcança. E enquanto muitas coisas são mostradas e nomeadas, outras tantas são explicadas, e belos diálogos se desenrolam, ali na janela.

O objetivo deste post? Valorizar os avós, homenagear minha mãe, incentivar o convívio dos pequenos com esse membro precioso da família, falar sobre a eficácia do aprendizado a partir da realidade que cerca a criança, estimular o diálogo consistente…não sei. Talvez de tudo isso um pouco. O fato é que este tempo de qualidade tem sido muito proveitoso para o desenvolvimento de Daniel e, porque não dizer também,  para a higiene mental da vovó! 🙂

Bem, relato feito e compartilhado. Espero que seja de proveito para algumas de vocês!! 😊