De Gênesis a Apocalipse, Mãe Esposa

É possível namorar depois de termos filhos

Olá, meninas mães namoradeiras saudosistas desesperadas! Exagerei?! Foi mal…pensei que não estivesse só na ansiedade por reavivar o romance no casamento kkk!

Direto ao ponto, como prometi no último post, aqui estamos, eu e Erin de novo, falando sobre nossos relacionamentos conjugais e como é possível cuidar bem deles (e não só dos filhos). E por falar neles, demorei um pouco para retornar porque, nas duas últimas semanas, estive envolvida com os preparativos do aniversario de três anos de Dan. Depois vou contar algumas coisas pra vocês sobre isso também. Mas, por agora, vamos já falar do romance no casamento, o bom e velho namoro.

O livro de Erin ao qual venho fazendo algumas referências é o Guia Definitivo da Mãe Cristã 3: tudo o que você precisa saber sobre a idade das descobertas. No capítulo 15, intitulado Reinventando o namoro, ela aborda várias questões sobre as mudanças e dificuldades encontradas pelos casais para manter acesa a chama quando a vida a dois se torna vida a três, quatro, cinco…! Mas não para por aí, afinal, das dificuldades todas nós entendemos bem. A delícia do capítulo são as sugestões super úteis e cheias de criatividade que Erin apresenta. Tenho que confessar que as listas são inspiradoras e tenho toda certeza que você mesma terá suas próprias idéias para acrescentar e/ou adaptar às ali sugeridas. Como estamos num país com dimensões continentais, como se diz por aí e é verdade mesmo, pode ser que você viva numa região em que tudo se adeque direitinho mas, se não for o caso, use a dica como trampolim para sua imaginação e adapte à vontade. Por exemplo, no item 3 da lista que vamos degustar hoje, substitua pela frutas de sua região.

Agora, pra te deixar com muita água na boca, vou fazer um índice das listas de reinvenções do namoro que Erin apresenta neste capítulo. Sinta o drama:

  • Reinventando o orçamento para o namoro – 10 dicas
  • Reinventando a babá – 8 dicas
  • Reinventando o namoro “à noite”: dez encontros românticos durante o dia
  • Reinventando a hora de dormir: dez “encontros românticos” que você pode ter em casa (depois que as crianças forem para a cama)
  • Dez dicas divertidas para trazer a lua de mel de volta à sua vida (uma das minhas listas preferidas)

Escolhi contar pra vocês, neste post, sobre os dez encontros românticos durante o dia e, num próximo, sobre as dicas para trazer de volta a lua de mel. Então, mãos à obra. Com a palavra, Erin MacPherson:

Mesmo com seu romance revigorado e a reinvenção de seu orçamento de namoro, você ainda anda muito cansada pra ficar passeando até depois, digamos, das 19h32. E mesmo que quisesse ficar passeando até depois desse horário, pode muito bem ser impossível para uma babá esporádica fazer seus filhos dormirem, o que quer dizer que o namoro até altas horas pode se tornar algo do passado. Contudo, aqui estou eu para salvá-la de novo. Quem disse que os encontros têm de ser à noite? E que tal “namoro no início da tarde”? Ou um encontro romântico “às dez horas da manhã de terça-feira”? Ou namoros “sempre que a vovó estiver disponível para tomar conta das crianças”? Aqui estão dez ideias.

  1. Tomem café da manhã juntos. Para mim, não há nada muito melhor do que comer panquecas quentes com mel. Exceto, talvez, panquecas quentes com mel junto com meu marido cujo cabelo ainda está desarrumado, pois acabou de acordar.
  2. Pratiquem esportes. Mesmo se você não for do tipo de garota esportista (e eu não sou), é divertido e revigorante praticar esportes com seu homem. Vá até um parque para ficar a sós com ele ou dar um passeio em torno do lago. Em seu caminho para casa, parem no mercadinho e comprem água de coco gelada para vocês, pois é deliciosa e devem bebê-la sempre que houver oportunidade.
  3. Comam frutas. Procure colher alguns produtos locais – pêssegos, amoras ou maçãs – ou se preferir não ficar com as mãos sujas. vá até o mercado do produtor local e compre cerejas, ameixas e peras e depois desfrute dessas delícias com seu marido.
  4. Adquira pacotes em sites de compra coletivas. Recentemente, vi sites que oferecem passeios em rodas de ginástica, aluguel de water bike – aquelas bicicletas aquáticas -, aulas de cerâmica e até mesmo um curso para aprender a fazer sorvete. Todas essa são ideias divertidas para o horário diurno. E são coisas que você nunca fez antes… novidades e mais novidades.
  5. Façam um piquenique, mas não ao ar livre. Mande as crianças para a casa da vovó, depois ponha um cobertor na sala com itens como pão, queijo e morangos cobertos com chocolate. (E, ei… o cobertor está estendido no chão, e as crianças na casa da vovó, então…)
  6. Procurem os ingressos baratos. Não há nada igual à visão dos ingressos baratos (pelo menos, é o que dizem). Vá até o estádio, compre os assentos mais baratos, cachorro-quente e chocolate. Se realmente quiser que seu marido se apaixone novamente por você, encoste nele e lhe dê um beijo apaixonado toda vez que o time dele fizer gol.
  7. Transformem-se em artistas. Minha amiga Kaimey e o marido se matricularam em um curso de artes em um estúdio onde um instrutor os ajudava a pintar. Ou, se você quiser ser mais aventureira, vá até uma loja e compre as telas e as tintas para que vocês dois comecem a criar e pintar juntos.
  8. Pratiquem alguma arte marcial. Vão até a academia ou a um SESC mais próximo – ou, se ainda não forem membros, matriculem-se ou peçam para fazer uma aula experimental – e façam uma aula divertida juntos, talvez algum tipo de arte marcial ou hidroginástica.
  9. Façam um passeio turístico pela cidade. Finjam que são turistas (o que quer dizer que é perfeitamente aceitável usar pochete) e vão até as atrações turísticas locais. Visitem um monumento. Façam um tour por algum museu. Andem de mãos dadas enquanto percorrem uma trilha histórica.
  10. Lavem o carro juntos. Água, espuma, o marido de sunga, Já disse o suficiente.

Tudo bem, pessoal. Eu sei que algumas coisas aí em cima fogem muito mesmo da nossa realidade e podem causar até vontade de rir, às mais críticas. Mas, por favor, sejamos maleáveis e vamos manter a mente aberta. Como disse, são sugestões que inspiram. E no próximo post, para que este não se alongue muito, eu vou acrescentar, a esta lista aqui, os meus tópicos e minhas adaptações – à minha realidade. Novas ideias surgem de acordo com o que temos em mãos e o que podemos fazer. Afinal, o que está em jogo é nada menos que a manutenção da relação conjugal saudável e, por conseguinte, a estabilidade da família constituída. Muitos problemas matrimonias que hoje estão grandes e sérios começaram lá atrás, com pequenos descuidos, que poderiam ter sido corrigidos através da adoção de medidas simples assim. Agora, por outro lado, espero que essas experiências compartilhadas de longe provoquem também o desejo de mudar a realidade em que vivemos, principalmente no que implica nossa qualidade de vida familiar. Já tenho falado sobre isso por aqui, refletindo sobre a nossa ausência no lar e a pouca participação na formação dos filhos. Vejam os posts Mães de volta ao lar I e II (de preferência, antes de me atirarem pedras…mas, talvez, mesmo depois, atirem também).

Então, por hoje é só. Aguardo vocês daqui a uns dias para as Dez dicas divertidas para trazer a lua de mel de volta à sua vida

Bjos!

_________________________________________

1 – MACPHERSON, Erin. Guia Definitivo da Mãe Cristã 3: Tudo o que você precisa saber sobre a idade das descobertas / Erin MacPherson; tradução Markus Hediger. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2014, pg 239 a 241.

Anúncios
De Gênesis a Apocalipse, Mãe Esposa, Papos Diversos

Porque Mãe Esposa

Olá, mamães!

Talvez você tenha se perguntado o porquê da categoria Mãe Esposa neste blog. E por que temos tantos textos falando sobre relacionamento conjugal. Bem, se você realmente ficou intrigada com estas questões é porque precisa mesmo refletir sobre os temas tratados aqui. O fato é que é muito fácil para uma mãe imbuída de todos os seus afazeres maternos esquecer que é, também, uma esposa. É triste, mas é fácil esquecer o companheiro da nossa mocidade, do nosso tempo de ainda-não-mãe.

Sim, porque as exigências da nova vida de mãe são exaustivas, as mudanças são tremendas, o descontrole hormonal absurdo, e nossa cabeça, uau….ela vai de 0 a 180km em minutos! Então, quando você tem um lindo e exigente bebê clamando por você o dia inteiro – e a noite também – aquele parceiro, antes charmoso e galante, se torna, rapidamente, força de trabalho adicional, ajudante, suporte, socorro e todos os outros adjetivos utilitários semelhantes que você imaginar. É isso mesmo! A gente esquece que tem marido para dar atenção, para fazer mimo, para cuidar. Durante o primeiro momento (que varia de tempo para cada mulher e para cada situação) é natural que seja assim. O final da gestação, o parto e a recente maternidade são avalanches na vida de quase toda mulher (como já disse antes, há algumas que tiram de letra). Precisamos mesmo de apoio. Mas o grande – e mais comum do que pensamos – perigo é que essa fase não acabe nunca e isso se torne uma constante na vida do casal; se torne o modus operandi natural do casamento. Isso é assassinato da relação conjugal! Não se pode viver assim por muito tempo porque as relações precisam ser nutridas com atenção, carinho, cuidados etc. Todas essas coisas que antes existiam (ou deviam existir) aos montes e, hoje, parecem só estar presentes na nossa relação com o bebê, que, às vezes, nem é mais tão bebê!

Onde isso pode nos levar? Com o que sempre sonhamos? Casamento, companheirismo, amor, romance, afeto, segurança emocional, família…opa! Aqui começam as sinalizações de alerta na estrada. Família se inicia desde que a gente casa: só o marido e a esposa. Daí para frente o que ocorre é ampliação dela com a chegada dos filhos. Mas, embora já houvesse uma família desde o casamento, é só quando os filhos chegam que esta noção ganha cores mais vivas. Agora, vejamos: marido, mulher, filhos = família. Todos estão presentes na equação. É assim que a família funciona bem. Mas, no dia a dia, às vezes, só a mulher – que agora se chama mãe – e os filhos, parecem atuar como partes integrantes e indispensáveis da família, deixando os cuidados com o matrimônio – embrião da sonhada família – cada vez mais distantes.

Não há como negar que filhos fazem o coração e a mente das mães gravitarem em torno deles. Muito mais do que os dos pais. Daí porque os homens que se tornam pais são apenas (sem qualquer tom de menosprezo) homens que se tornaram pais! Ao passo que as mulheres, por sua vez, viram mães! Viram mesmo! Quero dizer naquele sentido de se transformar em outra coisa, tipo entrando numa cabine telefônica e saindo de lá com capa esvoaçante e máscara, pronta para caçar os vilões da cidade! Ou, menos um pouco: só os vilões mais próximos de suas crias.

E onde raios, com tudo isso, vai se parar a Mulher? A Esposa? A Namorada? Depois de ter me transformado numa mãe, eu mesma senti falta de minha, digamos, esposice – assim que tive condições de me dar conta disso! Aqueles dias de correr para porta e recebê-lo perfumada, com beijos e abraços (lembram daquele marido sonhador?), viajaram para terras longínquas e nunca mais deram notícia! Mas graças a Deus por Ele ter me abençoado com um marido tão amável, dócil, parceiro, compreensivo e paciente (você não imagina o quanto)! E graças a Deus, também, por Ele ter me feito enxergar a tempo que o “eu esposa” estava ficando muito ausente e deixando meu precioso marido solitário.

Ah, e caso você ainda não tenha captado, é aí que entra a mãe esposa, porque, quando a heroína se recusa a, de tempos em tempos, tirar a capa e a máscara para voltar a ser apenas a esposa, a sonhada família corre riscos. E é para falar sobre isso que este canal foi criado aqui. Por esta e outras histórias surgiu o canal Mãe Esposa num blog sobre as aventuras e descobertas da maternidade. Afinal, a esposa não deixou de existir, ela apenas agregou uma nova função. Pense em você como um bombom sonho de valsa. Aquela grossa e deliciosa camada de chocolate é a capa da maternidade – é o você-mãe. E aquele bombom suculento, escondido lá dentro, é o você-esposa. E porque eu sei o quanto é difícil para esse pequeno bombom vencer a grossa cama de chocolate que o envolve absolutamente, deixo para você um souvenir da nossa amiga Erin MacPherson e espero te ajudar a atravessar esses dias onde tudo está de cabeça para baixo:

Descanso para a mãe ¹

Para quando estiver orando por seu casamento

“Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele descansa entre os lírios.” (Cântico dos Cânticos 6:3)

Deus pai, pertenço a meu marido, e ele pertence a mim; e ainda assim muitos dias ignoramos um ao outro, deixando nosso relacionamento em banho-maria para que cuidemos de coisas menos importantes. Por favor, Senhor, ajude-me a tornar meu marido uma prioridade de modo que nós dois possamos andar confiantes no fato de que tu criaste nosso relacionamento para um propósito. Renova nosso amor um pelo outro e une-nos para que possamos vencer as lutas que enfrentamos. Amém.

Agora, seja esperta e ajude seu marido a encontrar o bombom em vez de ficar só comendo a cobertura de chocolate.

No próximo post teremos mais notícias de Erin sobre este assunto e, acreditem, vai ajudar muito!

____________________________________________________

1 – MACPHERSON, Erin. Guia Definitivo da Mãe Cristã 3: Tudo o que você precisa saber sobre a idade das descobertas / Erin MacPherson; tradução Markus Hediger. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2014, pg 232.

De Gênesis a Apocalipse, Mãe Esposa

Orando por seu marido – Parte III: o mundo espiritual por trás das cortinas

Existe um reino espiritual, um “mundo paralelo” que nós não visualizamos, onde as coisas se desenrolam e, sem pedir licença, estendem seus efeitos sobre a vida que nós vemos e sentimos. No palco principal está a vida como a vivemos e onde percebemos o desdobramento das coisas. Por trás das cortinas, contudo, estão acontecendo coisas que têm efeito direto no que ocorre no “palco”. É o mundo espiritual. Não pense nem por um minuto que quando você convida seu marido para orar – ou, mesmo quando fica esperando por esta iniciativa da parte dele e nada acontece – é apenas a falta de vontade dele, preguiça, desinteresse ou falta de responsabilidade que estão em jogo. Na mesma hora, está se desenrolando uma verdadeira batalha naquele mundo paralelo, logo ali, atrás das cortinas, fazendo pressão sobre ele, com o único objetivo de impedir que ele faça o que tem que fazer.

Acredito que exista algo além de um conjuntura social negativa impedindo que homens de fé assumam seus postos de liderança e encarem suas responsabilidades na família. Se a esfera espiritual existe, por trás das cortinas, não é apenas o que ocorre diante de nossos olhos, no palco, que pode ser considerado como causador disso ou daquilo.

E onde nós, mulheres, entramos nessa história? Afinal de contas, esta é a batalha espiritual dos homens e nós já temos as nossas próprias. Já carregamos nossas responsabilidades e preocupações. Já enfrentamos cobranças de toda sorte, principalmente as autocobranças. Não, não é nada fácil mesmo pegar no arado junto com o marido. Na verdade, o que a maioria de nós deseja, seja uma crente bíblica ou não, é ser amparada pela fortaleza  do parceiro ao seu lado. Acredito, de prosear aqui, ler ali e observar acolá, que poucas mulheres desejam realmente dominar os homens ao seu lado e ocupar os seu lugares, demonstrando possuir maior força do que eles. Algumas há que o fazem “com louvor”, mas me parecem fazê-lo muito mais por ressentimento, vingança e revolta diante da falta de opção – e não por prazer. Se sentem orgulho nisso, em dizer: “Sou mais eu!”, é um orgulho meio às avesas, arrogante e magoado. Não exatamente regozijado com seu feito. Vejam, o mundo é imenso. Há todo tipo de pensamento em voga. Estas são observações pontuais, não uma nova teoria em desenvolvimento. Mesmo assim, acho que vale a pena a auto análise para quem se deu o trabalho de ler até aqui.

Antes de casar, fiz uma lista de características desejáveis num homem e apresentei a Deus em oração. Uma delas, era que o meu futuro marido me levasse mais perto de Deus. Essa sentença não é tão simples assim e tem muitas implicações mesmo. Quer dizer, por exemplo, que eu esperava um sacerdote típico no lar, alguém me exortasse e corrigisse 24 horas por dia. Que me cobrasse leitura de Bíblia e vida de oração, me ajudasse a vigiar minhas condutas e me alertasse ao menor sinal de pecado. Provavelmente eu sou a única por aqui que deseja isso, certo…?

Daí, como fica minha mente quando a palavra “ajudadora” deixa de ser um conceito abstrato, no máximo um adjetivo bonitinho para as esposas, e se desdobra diante de mim em definições, tarefas e responsabilidades? Até que a poeira assente a gente demora a se encaixar na definição. Briga pra não se enquadrar e fica por aí de birra com Deus perguntando: “Aí, Senhor, cadê o varão que o senhor preparou pra mim? É esse aí?! Assim?! Sou mais eu!”

Mas o quebra-cabeças de Deus se encaixa de forma perfeita e inequívoca. Se ele tivesse feito o homem para ser super nós não seríamos ajudadoras. E uma coisa é fato: queixas não produzem mudanças. Assim, podemos “optar” (como se houvesse alguma outra saída inteligente) por assumir nossos postos e servirmos de de atalaia, sobre a vida de nossos maridos, não para vigiar seus passos ou apontar suas falhas, mas para oferecer o necessário suporte em oração, sem o qual, talvez, eles não tenham muitas chances de vencer.

Quem tá nessa luta passa a mensagem adiante! Mulher fala demais, mas nem sempre fala o que edifica. Se você se sentiu edificada, edifique outra e vamos usar nosso inigualável dom de comunicação para produzir mais que reclamações: vamos produzir mudanças!

De Gênesis a Apocalipse

Como falar sobre Jesus para seu filho

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele.”

Provérbios 22.6

Este deve ser um dos versículos mais citados da Bíblia.

Mas…

Como? Quando? Onde? Com que idade? Em que momentos? São perguntas óbvias mas que só nos fazemos na hora de colocar o versículo em prática. Como compartilhar sua fé com uma criança pequena? Por onde devo começar? Espero até que ele saiba falar?

Cada uma vai encontrar seu próprio caminho, de acordo com as particularidades de sua família e de sua personalidade mesmo. Sua e da criança. Mas, para quem está completamente perdida no tiroteio, um norte vai bem.

1 – Ore. Mais uma vez o óbvio mas, sei perfeitamente que em nosso afã de supermães queremos ir logo botando a mão na massa e fazendo mil coisas. Por isso, recomendo, por experiência própria, que você pare agora mesmo esta leitura e ore. Inclusive, pode ser que depois da oração você nem volte mais a ler o restante do texto. Talvez ele não seja para você e isso Deus vai lhe dizer em oração.

2 – Se você orou e voltou, a próxima dica está no Velho Testamento, livro de Deuteronômio, capítulo 6, versos de 1 a 7, especialmente o 7.  E diz respeito ao quando e ao onde. Diz assim:

E as ensinarás [estas palavras que hoje te ordeno] a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.

Fale de Jesus em todo momento comum do dia de vocês. Não precisa pausar uma atividade, pôr a criança sentada e dizer: Agora vamos falar de Jesus  (veja, pode ser que para você e seu filho isso funcione, não há problemas nisso também). Se você não tem esse estilo de fazer as coisas ou se seu filho não tem essa forma de aprendizagem, nada impede você de optar por algo descontraído. Nós, cristãos, às vezes, somos tentados a imaginar Deus como um senhor muito idoso e muito sisudo, sentado numa nuvem muito alta lá no céu e olhando pra nós de cenho franzido o tempo inteiro, vigiando, para ver se estamos fazendo todas as coisas da forma correta, e pronto a nos dar uma reprimenda. Então, ficamos um pouco obcecados com formas, métodos, padrões, tudo buscando perfeição para agradar como que a um patrão muitíssimo exigente. Não vejo Deus assim. Gosto de me imaginar sentada em Seu colo desde a hora em que acordo e ponho os pés no chão. Daí, então,  posso começar o meu dia me sentindo segura.

3 – A dica 3 decompõe um pouco da dica 2 na prática, e pode servir como sugestões para você. Certa vez, saí com meu pequeno pela rua onde moramos. Fomos dar um passeio e levei ele andando pela calçada, de mãos dadas, para que ele pudesse observar algumas coisas mais de perto. Passamos por alguns jardins e, a cada elemento da natureza novo para ele, eu lhe dizia: Olha, filho, esta flor! Não é linda? Sabe quem fez ela? Foi Jesus. Ressalto que a esta época eu já havia falado algumas vezes em casa sobre Jesus, dizendo a meu filho que Ele era nosso amigo e que nos protegia sempre. Vale ressaltar, ainda, que neste dia específico Dan ainda não falava muito. Tinha, então, por volta de dois anos. Para minha grata surpresa, várias semanas depois saímos novamente, andando pela mesma calçada e ele, já com maior domínio da linguagem, me disse: Mãe! A for! Vuvuis fei! Você entendeu, né? Agora imagina a minha cara de mãe babona 😊

Este foi um exemplo de um diálogo muito simples e espontâneo que produziu frutos. Vamos a outro?

4 – Por mais que nos cerquemos de cuidados quanto ao que nossos guris assistem (e é necessário fazê-lo!), vez por outra, aparece um monstro ou coisa parecida. E eles, normalmente, se assustam um pouco. Não demora para aquilo começar a fazer parte do imaginário infantil, provocando medo. Comecei, então, a convencer meu filho de que não existem monstros em nossa casa e de que Jesus é maior e mais forte do que todos os monstros. E que, se algum deles aparecesse, Jesus o colocaria para correr. Isso já é repertório há um tempo e tem sido usado em várias situações quando ele menciona monstros. Mas, no último fim de semana, aconteceu algo um pouco diferente. Estávamos num parquinho e apareceram dois bonecos – pessoas vestidas – fazendo propaganda de uma escola. As crianças no lugar tiveram reações diferentes. Dan, assim como alguns dos outros meninos, maiores até, teve medo. Eu já sabia porque já havíamos passado por isso quando ele era bem menor. E na ocasião ele tinha chorado bastante. Dessa vez foi diferente! Apesar de temeroso, ele se aproximou, tocou e conversou com eles. Mas até aí tudo bem. O que me chamou mesmo a atenção foi o fato de ele ter me dito que “não teve medo porque Jesus é maior e mais forte e bota os monstros todos para correr.” Maravilhoso isso, não!? Sozinho, ele aplicou o conhecimento na prática em uma situação real de temor. Mais uma vez, ensinamento devidamente infundido.

5 – Outra situação bem legal para buscar imprimir o caráter de Cristo em nossos pequenos são as disputas com coleguinhas. Quando outra criança se comporta de forma hostil – seja tomando brinquedos ou se negando a compartilhá-los ou qualquer outra dessas coisas anti-sociais que as crianças fazem até que aprendam a forma correta de se relacionar com o próximo – uma boa opção é consolar seu filho dizendo que aquela criança ainda não aprendeu as coisas que ele já sabe e que devemos perdoá-la por seu mau comportamento,  assim como Jesus nos perdoa quando nos comportamos mal também. Isso pode ser aplicado na própria relação entre pais e filhos, naquelas ocasiões em que a criança apronta e nos aborrecemos. Podemos, não obstante aplicar a disciplina devida a cada caso, estender perdão ao nosso filho e dizer isso a ele. É importante ensiná-lo a pedir perdão, também. E sempre lembrando que esta é uma atitude que deixa Jesus feliz.

6 – Abençoe seu filho em voz alta. Não o faça apenas em suas orações silenciosas por ele. Aqui em casa, abençoamos na hora de dormir e quando saímos pra trabalhar, deixando ele aos cuidados da vovó. Quando coloco ele para dormir, com a bênção e um beijo de boa noite, acrescento, ainda, votos de amor: mamãe e papai te amam, seus avós te amam e Jesus te ama! Ele se derrete!

7 – Faça orações em voz alta, por ele e por outras coisas, de modo que ele vivencie seu relacionamento com Deus. Também costumo orar por ele à noite, enquanto estou colocando para adormecer. Oro por coisas que aconteceram com ele no dia, por nossos eventuais planos para o dia seguinte, oro as mesmas orações que costumo fazer por ele quando oro sozinha, em silêncio. Assim, ele sabe que intercedo por ele e que busco ajuda de Deus em minhas próprias necessidades.

8 – Uso palavras de fé durante as minhas mais variadas conversas. O que seriam essas palavras? “Se Deus permitir”, “Graças a Deus”, “Deus é bom”, sempre faço menção a Deus, pois, isso naturalmente faz parte da minha vida. E isso é outro ponto importante sobre o compartilhar da nossa fé. Ele precisa ser real. Não podemos simular uma vida de relacionamento com Deus para convencer a criança. Da mesma maneira, se esse relacionamento, de fato, existe, não são  necessárias estratégias para demonstrá-lo. Basta viver.

9 – Por fim, algo muito prático e muito cotidiano, também, é dar graças na hora das refeições. Novamente, é a simples vivência da comunhão com Deus, da dependência dele nas mínimas coisas e da nossa gratidão por Seu cuidado.

O resumo de tudo é que a nossa fé pode ser transmitida aos nossos filhos por meio das coisas comuns do dia a dia, sem maiores formalidades. De jeito simples, como as crianças são.

Todas prontas? Mãos à obra!

Bjos e até a próxima!

De Gênesis a Apocalipse, Mãe Esposa, Sem categoria

Família e responsabilidades

Olá, pessoal!

Nosso texto de hoje é um presente preparado, exclusivamente para nós, pelo pastor batista César Augusto Toselli e trata de um tema de grande importância para a saúde da família: desenvolvimento de papéis e responsabilidades.

photo

A responsabilidade na família*

 

Estamos vivendo dias em que notamos mudanças radicais em muitas áreas da vida humana. Uma das instituições que tem sido mais afetadas com essas mudanças é a família, que tem sofrido profundas alterações na sua composição, na forma de relacionamento – tanto no âmbito interno quanto no externo – e, também, nas responsabilidades, com a diminuição da sua privacidade. O que é íntimo ou privado na família moderna tem cedido espaço para o interesse público.

Temos verificado que, na família moderna, por causa de diversos fatores, os papéis dos seus integrantes não têm mais uma definição pré-estabelecida. As mulheres têm ocupado cada vez mais um papel de destaque na composição do orçamento familiar. Esposas que antes eram donas de casa exercem atividade econômica e geram renda para a manutenção familiar. Não é raro ter mulheres em posição de destaque em instituições públicas e privadas. E, em contrapartida, muitas vezes, encontramos famílias nas quais os homens têm se ocupado com as atividades do lar, para suprir a ausência de suas mulheres que estão no trabalho. Os papéis da antiga família tradicional, onde os maridos eram os provedores, têm sido radicalmente modificados e invertidos. Na Bíblia, quando Paulo orienta os líderes cristãos sobre os assuntos familiares, ele salienta a importância que os homens têm em relação aos seus lares (1 Timóteo 3:4). Portanto, essa é e sempre foi uma função do homem e não pode ser delegada única e exclusivamente à mulher. Os costumes antigos pareciam impor que as mulheres deveriam se ocupar integralmente com as responsabilidades e administração dos lares, enquanto os maridos saiam em busca do sustento e provimento da família, geralmente trabalhando fora.

O fato é que, na atualidade, cada família tem as suas necessidades, suas prioridades e dificuldades, portanto deve adotar a melhor solução dentro das suas possibilidades e capacidades. Mas o que preciso ressaltar, e não me refiro ao aspecto material das responsabilidades do homem e da mulher na família, é o papel integral que o homem exerce no seu lar. Integral no sentido muito mais amplo do que apenas ser um “provedor” ou “protetor”. A função do homem, no matrimônio, é muito mais abrangente. É ele quem deve suprir espiritualmente o lar.

Deus comissionou os homens para essa tarefa. No Éden, somente quando o homem (Adão) transgrediu a determinação de Deus é que houve a consumação da queda. O homem precisa estar à frente na área espiritual, mesmo que esteja cuidando do seu lar ou em situação de desemprego. Deve tomar todas as iniciativas nesse sentido e não se omitir ou, como em muitas ocasiões, deixar sob a responsabilidade da esposa esse importante ministério. Em muitas famílias as mulheres têm tentado suprir a inércia dos maridos nesse mister e, não raro, conseguem excelentes resultados, mas essa não é a orientação e a visão de Deus para a família. Quando o homem assume efetivamente a sua responsabilidade, tudo se transforma e a família começa a prosperar com força total em todas as áreas, pois está agindo de acordo com o que foi estabelecido pelo Senhor.

Portanto, e talvez seja por isso que a família está sendo afetada, o homem não deva “delegar” suas responsabilidades para a mulher ou para qualquer outro familiar. Se algo não vai bem é ele quem deve tomar prontamente a iniciativa de se dirigir ao Senhor para buscar orientação e, acima de tudo, estar pronto para agir. Quantas mulheres se vêem obrigadas a levar um pesado fardo nas costas, resolvendo sozinhas os problemas enfrentados pelos filhos, passam a ser as principais conselheiras deles em todas as áreas e os maridos mantêm uma atitude passiva, para não dizer omissa. Outro dia, presenciei uma briga envolvendo um casal: o marido estava no bar, bebendo e se divertindo com os amigos durante a madrugada enquanto sua esposa cuidava sozinha do filho pequeno, em casa. Ela entrou em desespero e foi buscá-lo no bar, levando a criança junto!

Existem pais que se omitem, ou fingem que não estão vendo, quando os filhos passam a se relacionar com pessoas desconhecidas, mudam seus hábitos e deixam de dar satisfação e respeito. A Bíblia ensina que os filhos entregues à sua própria vontade estão muito propensos a fazerem besteiras!

Penso que a maior causa da desestruturação dos lares, com todas as consequências que isso pode trazer (filhos envolvidos com drogas e crime, gravidez precoce, esposas e filhos deprimidos e outras mazelas dos dias atuais) é a omissão do homem no cuidado para com a sua família. Lembro da presença do meu pai na minha vida. Teve um período em que ele esteve desempregado e ele se dedicou a me ajudar nas atividades da escola. Resultado: Me tornei um dos melhores alunos da sala! Depois que ele voltou ao trabalho recuei paulatinamente ao meu patamar de aluno mediano. Esse é um pequeno exemplo acerca da influência e importância do pai na vida de um filho.

Em muitos lares, encontramos o famigerado costume de ter tempo de qualidade com a família. Sempre falo que não gosto desse conceito “tempo de qualidade”. Nessas famílias, um dos pais ou ambos, que sempre estão distantes pelos mais variados motivos, colocam na sua mente que podem se ausentar do convívio familiar o ano inteiro, mas, nas férias, que geralmente não duram mais que uma semana, terão um tempo “de qualidade” em família! O que os filhos querem, e o cônjuge também, é a sua presença permanente, o seu contato físico, a sua atenção e carinho. E penso que isso tem faltado muito na sociedade atual. Talvez seja esse o principal motivo da mudança na composição tradicional das famílias. As mulheres e os homens não têm encontrado nos modelos tradicionais o afeto, a atenção, o carinho e amor que fazem tanta diferença num relacionamento e que são o motivo fundamental da sua existência.

Quem sabe, se voltarmos a nos preocupar mais com as pessoas e com o que sentem, possamos imprimir um novo tempo e uma nova direção nos relacionamentos e nas nossas vidas como um todo. É possível que a intensidade e a qualidade dos relacionamentos se tornem mais presentes nas famílias, independentemente do seu padrão social ou cultural. Se Deus estabeleceu as coisas como o fez é porque existe algum motivo que talvez ainda não consigamos entender mas, na prática, se o adotarmos, teremos sucesso e felicidades, principalmente na área dos relacionamentos.

Muitas pessoas reclamam hoje da distanciação entre as pessoas, mesmo os familiares, gerada pelo advento da tecnologia. Pais e filhos num mesmo ambiente, sem interação, cada um focado no seu celular, computador ou em algum programa na TV, sem conversarem uns com os outros por longos períodos. Essa é outra coisa que pode e deve ser remediada com a ação. Sim, pois, a partir do momento em que um filho recebe atenção dos seus pais e irmãos, ele automaticamente passa a interagir com eles e vice-versa. Quem já não presenciou uma cena em que um pai chama um filho para jogar bola ou ir para o parque com ele se divertir em alguma atividade? Dificilmente a criança recusa.

Não se deve esperar os filhos crescerem para nos darmos conta da importância da companhia deles. Nessa etapa, talvez o convite para passear e se divertirem juntos ficará mais difícil. Se esse hábito vem desde a infância, com certeza ele se manterá e serão sempre momentos preciosos e inesquecíveis na vida dos pais e dos filhos. É o que falta nos dias de hoje. Os pais estão cansados (com motivo, pois chegam do trabalho exaustos muitas vezes), as crianças com muitas tarefas ou nenhuma tarefa, indiferentes ao que acontece na sua casa porque não interagem e não recebem nenhum estímulo. Devemos quebrar esse círculo vicioso e estabelecer uma nova forma de participação familiar, voltada principalmente para a convivência forte e viva que sempre será possível numa família. Aliás, é para isso que ela foi criada!

Talvez esse seja o principal desafio dos tempos modernos. Quando as famílias, as células principais da sociedade, são sadias, toda a coletividade é saudável e, infelizmente, o inverso também é verdadeiro. Onde as famílias são disfuncionais, ou sejam, não vão bem, certamente os problemas tendem a extrapolar os seus limites e saírem para gerar conflitos sociais, daí a mudança de enfoque quanto à questão da privacidade, que sai da esfera íntima para ser alvo de interesse público. O pensamento dominante é que se aquele pai ou aquela mãe não estão cuidando bem dos seus filhos, eles possivelmente se tornarão focos de problemas sociais no futuro.

Sempre é tempo de mudar e de melhorar. É difícil chegar cansado do trabalho ou, no final de uma semana exaustiva, tomar a iniciativa de sair para jogar bola ou fazer qualquer outra atividade que seja agradável aos nossos filhos e familiares. Todavia certamente esse esforço valerá a pena quando, no futuro, olharmos para os nossos queridos e constatarmos que têm uma vida plena e feliz.

Portanto, podemos fazer algo na nossa própria família ao adotarmos comportamentos que tragam dignidade e sentimento aos seus integrantes. Dialogando, vivenciando com eles os seus sucessos e reveses, prestando atenção quando tiverem necessidade de falar, advertindo quando necessário, ou seja, fazendo parte efetiva da vida deles. Cabe a cada um de nós escolher quais os métodos a serem postos em prática e isso é uma atividade constante e individual na vida familiar. Nunca termina e, uma vez iniciada, se torna uma aventura gratificante: a aventura da vida! Vale a pena experimentá-la com muita intensidade.

* César Augusto Toselli é pastor auxiliar na Igreja Batista Unida do Brás, em São Paulo, e advogado.